Conselho de Ministros aprova nova administração para o Hospital Garcia de Orta

A nova administração do hospital de Almada deve tomar posse já na próxima semana.

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira a substituição do Conselho de Administração do Hospital Garcia de Orta, em Almada, confirmou ao DN o ministério da Saúde. A atual administração deixa a unidade hospitalar numa altura em que o serviço de urgência de pediatria tem sido colocado em causa devido à falta de médicos.

O Hospital, contactado pelo DN, referiu que a renovação já era esperada, uma vez que o terceiro mandato da atual administração terminou em dezembro do ano passado. A nova administração deve tomar posse já na próxima semana, com Luís Amaro, ex-director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde Almada - Seixal, a ocupar o lugar de presidente.

Atualmente, o Conselho de Administração do Garcia de Orta é presidido por Daniel Ferro. Ana Paula Breia ocupa o lugar de diretora clínica, Odília Neves de Enfermeira Diretora e Maria Bastos e Pedro Reis de vogais.O compasso de espera na substituição da administração deste Hospital não é único no país. O Conselho de Ministros tem por aprovar vários novos mandatos, nomeadamente, na administração do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, para a qual se chegou a falar no nome de Daniel Ferro.

Mau estar no Garcia de Orta

No último ano deixaram a unidade hospitalar nove pediatras pelas contas da ministra da Saúde, Marta Temido. E entre esta semana e a próxima sairão mais dois médicos. Fontes hospitalares apontaram ao DN na semana passada que os médicos estariam a deixar o Garcia de Orta por causa do mau estar vivido dentro da instituição.

Na opinião de vários profissionais de saúde do hospital, os recursos humanos estão a ser desvalorizados e a falta de médicos torna o dia-a-dia incomportável para quem fica, uma vez que não têm sido feitas contratações de substituição, tal como prometido pela atual administração. Há dois meses ficaram por preencher três vagas para pediatras no Garcia de Orta "apesar de terem sido identificados alguns candidatos interessados e que posteriormente não aceitaram", esclareceu o Hospital ao DN.

Escalas por preencher

Durante uma conferência de imprensa na quarta-feira da última semana convocada pela Comissão de Utentes da Saúde do Conselho do Seixal, onde também estiveram presentes o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e a Federação Nacional dos Médicos, a administração do hospital garantiu que o serviço tem mantido a "qualidade" mesmo funcionando a mínimos. Na altura, segundo a diretora clínica do hospital, Paula Breia, na urgência pediátrica estariam três médicos - dois especialistas (por vezes de medicina geral) e um interno.

O que não aconteceu este sábado, quando a urgência foi assegurada por apenas dois médicos - um clínico interno e uma médica do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa. O serviço funcionou portanto abaixo do limite estabelecido de qualidade e segurança nas urgências (três médicos).

No mês passado, a Ordem dos Médicos alertou para o risco de a urgência pediátrica encerrar alguns dias por falta de médicos. Na mesma altura, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses revelou que havia turnos por preencher nas escalas de abril. Turnos estes que foram sendo atribuídos aos médicos um dia ou dois antes, desrespeitando o mês de antecedência com que habitualmente as escalas são definidas.

Para que asituação do Garcia de Orta seja monitorizada, o bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, fez saber esta quarta-feira que vai apresentar uma queixa à Inspeção-geral das Atividades em Saúde.

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