Cigarros eletrónicos e tabaco aquecido podem causar doença pulmonar grave

Direção-Geral de Saúde avisa que não existem cigarros eletrónicos nem tabaco aquecido que sejam seguros. Ambos os produtos podem causar graves problemas pulmonares. Nos EUA já morrem 47 pessoas desde agosto.

"Não existem cigarros eletrónicos nem produtos de tabaco seguros, nomeadamente tabaco aquecido. Apresentam riscos para a saúde e não devem ser consumidos." A garantia é dada pela Direção-Geral de Saúde (DGS) e pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) que, em comunicado conjunto, alertam que o consumo deste tabaco pode provocar doença pulmonar grave, como se tem registado em países como os EUA, Canadá ou Suécia.

Esta alerta surge após serem conhecidos diversos casos de problemas graves de saúde relacionados com o consumo de tabaco aquecido ou a utilização de cigarros eletrónicos. "Os Estados Unidos da América (EUA) estão a registar, desde agosto de 2019, casos de doença pulmonar grave, incluindo mortes que, segundo os Centers for Disease Control and Prevention (CDC), estão associadas à utilização de cigarros eletrónicos. De acordo com a última informação desta entidade, datada de 21 de novembro, foram identificados 2290 casos de doença pulmonar grave, incluindo 47 óbitos, associados ao uso de cigarros eletrónicos ou vaping", realça o alerta de DGS e SICAD.

Estas entidades afirmam que "casos semelhantes estão atualmente em investigação no Canadá, nas Filipinas, na Bélgica e na Suécia" e que o problema está a ser discutido a nível da Comissão Europeia, "em termos de avaliação e gestão de risco e eventuais medidas a adotar".

"Sublinhe-se que existe uma grande diversidade de líquidos utilizados em cigarros eletrónicos, com e sem nicotina, e com diferentes tipos de aromas, no mercado. Embora a investigação destes casos não esteja ainda concluída, o acetato de vitamina E, o canabidiol e outros derivados de canábis e o diacetil parecem ser substâncias associadas a estas lesões pulmonares", destaca ainda o comunicado emitido esta quinta-feira

Esta comunicação das duas autoridades de saúde portuguesas assegura que "os cigarros eletrónicos, com ou sem nicotina, nunca devem ser usados, particularmente por jovens, jovens adultos ou mulheres grávidas". É desaconselhado o "uso de cigarros eletrónicos, particularmente os que têm líquidos contendo canabidiol e outros derivados de canábis, acetato de vitamina E e diacetil".

Os sintomas: tosse, dor no peito, vómitos

Além disso, DGS e SICAD "alertam os consumidores de cigarros eletrónicos para que não modifiquem ou adicionem quaisquer substâncias aos líquidos para cigarro eletrónico legalmente comercializados e devidamente rotulados pelo fabricante, ou usem líquidos ou produtos comprados fora dos circuitos legais de comercialização, incluindo através da Internet".

Entre as recomendações figura ainda que "os consumidores de cigarros eletrónicos devem estar atentos e procurar um médico imediatamente se desenvolverem os seguintes sintomas: tosse, falta de ar, dor no peito, febre, calafrios, náuseas, vómitos, dor abdominal ou diarreia". Os sintomas "podem desenvolver-se ao longo de alguns dias, ou ao longo de várias semanas".

Por fim, é aconselhado que "os adultos que usam cigarros eletrónicos para deixar de fumar não devem voltar a fumar". Devem antes "avaliar todos os riscos e benefícios e considerar a utilização de terapêuticas de substituição de nicotina aprovadas pelo INFARMED, ou procurar apoio junto do seu médico ou de uma consulta de apoio à cessação tabágica".

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