Ambientalistas foram a votos: Quercus mudou presidente, Zero reelegeu o seu

Num clima de guerra aberta, Paulo do Carmo assume a presidência da Quercus, trocando de posição com o novo tesoureiro, e Francisco Ferreira continua a dirigir Zero, numa eleição sem opositor.

A Quercus tem um novo presidente, eleito este sábado depois de um clima de guerra aberta entre as duas listas candidatas. Já a Zero, associação ambientalista que nasceu de uma cisão naquela, reelegeu Francisco Ferreira para um mandato de mais três anos, ele que é um antigo presidente da Quercus.

Aquela que é provavelmente a mais conhecida associação de defesa do ambiente no ativo, vive dias complicados: depois da cisão de 2016, agora a campanha eleitoral na Quercus decorreu num clima pouco amigo do ambiente, com trocas de acusações e ameaças. A lista A, com membros da atual direção, reuniu uma larga maioria dos votos (226), que se traduzem em 79%, contra os 59 da lista B.

Numa troca de posições, o presidente da direção cessante, João Branco, passa a assumir as funções de tesoureiro, enquanto o tesoureiro cessante, Paulo do Carmo, assume a presidência da associação ambientalista.

Numa primeira declaração após o fecho dos resultados, o novo presidente afirmou que quer "unir os sócios e trabalhar com uma visão de futuro" e "fortalecer a relação da Quercus com a sociedade". "Projetar a Quercus na sociedade é projetar a maior associação nacional de defesa do ambiente, conservação da natureza e o desejo de um país mais sustentável e amigo dos recursos naturais", disse ainda Paulo do Carmo.

Para Marta Leandro, que acusa a direção "de gestão danosa" e de "falta de transparência", os 59 votos na sua lista B foram "um bom resultado" tendo em conta o curto período de tempo para se preparar e a falta de recursos. Além de Marta Leandro, integrava também a lista B João Paulo Pedrosa, até aqui presidente do Conselho Fiscal.

"Tivemos apenas três semanas para nos prepararmos para estas eleições e com poucos recursos e meios", referiu a candidata à agência Lusa, acrescentando estar satisfeita com o resultado e com o facto de a sua lista ter "tentado alertar os associados" para aquilo que considera ser um "clima de falta de transparência" que se viverá na Associação Nacional de Conservação da Natureza.

Para a nova direção da Quercus, o resultado fala por si. Tratou-se, segundo um comunicado, de "uma forte e inequívoca manifestação dos sócios da associação em relação ao projeto que querem ver implementado para o futuro e que melhor defende as políticas ambientais e de conservação da natureza".

Já na Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável, Francisco Ferreira era candidato à sua própria sucessão e sem adversário. Reeleito presidente da direção para o triénio 2019-2021, o ambientalista prometeu dar prioridade à ação para a sustentabilidade.

Nestes próximos três anos, Francisco Ferreira, engenheiro do ambiente e professor universitário, continuará a contar com Carla Graça na vice-presidência da Zero, tal como resulta das eleições que decorreram em Pedrógão, Torres Novas, no distrito de Santarém.

A Zero conta atualmente com 1 500 associados, mas tem como meta chegar, em breve, aos dois mil, assegurando a classificação como organização não-governamental (ONG) de âmbito nacional.

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