Já esgotámos os recursos anuais do planeta. Agora passamos a viver a crédito

Se todos os países "gastassem" o planeta como Portugal, o limite teria sido atingido a dia 26 de maio, 21 dias mais cedo do que no ano passado.

A humanidade atingu nesta segunda-feira, 29 de julho, o limite dos recursos naturais da Terra disponíveis para este ano, três dias mais cedo do que em 2018, alerta a associação ambientalista Zero. Ou seja, este é o dia em passamos a viver a crédito e a esgotar os recursos do planeta a um ritmo não sustentável.

"Este ano o limite é atingido a 29 de julho, três dias mais cedo do que em 2018, em que a data foi 1 de agosto, sendo que a tendência tem sido a de adicionar o cartão de crédito ambiental cada vez mais cedo, não obstante todo o discurso político e público sobre economia circular e neutralidade carbónica", refere a Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável.

Todos os anos é apresentada uma estimativa sobre o dia em que a humanidade atinge o limite do uso sustentável de recursos naturais disponíveis para esse ano, ou seja, o orçamento natural, habitualmente designado como 'Overshoot Day' (Dia de Sobrecarga da Terra)" e esse dia é segunda-feira, 29 de julho.

Esta é a data mais recuada desde que o planeta entrou em défice ecológico no início dos anos 70, assinalou a organização internacional Global Footprint Network, que todos os anos faz este cálculo. A mesma organização indica que, nos últimos 20 anos, a data que a humanidade terá esgotado os recursos naturais que o planeta é capaz de renovar foi antecipada três meses.

"Estamos a esgotar o capital natural da Terra"

A Zero refere que Portugal "é um contribuinte ativo para esta situação", uma vez que, "se todos os países tivessem a mesma pegada ecológica que o nosso país, seriam necessários 2,5 planetas".

Este ano Portugal gastou os seus recursos naturais disponíveis no dia 26 de maio, 21 dias mais cedo do que no ano passado.

"Atualmente, considerando a média mundial, estamos a consumir cerca de 1,75 planetas com a nossa voracidade de produção e consumo. A sobrecarga só é possível porque estamos a esgotar o capital natural da Terra, o que põe em causa o futuro da humanidade", alerta a Zero.

Para inverter esta tendência, a associação propõe a adoção de "novas práticas", nomeadamente na alimentação e na mobilidade.

Na alimentação, a Zero defende a promoção de uma dieta alimentar "saudável e sustentável", com a "redução do consumo de proteína de origem animal e um aumento significativo do consumo hortícolas, frutas e leguminosas secas.

A associação defende, igualmente, a aposta na mobilidade sustentável, melhorando o acesso e as condições de operação dos transportes públicos e estimulando as formas de mobilidade suave.

Exclusivos

Premium

Espanha

Bolas de aço, berlindes, fisgas e ácido. Jovens lançaram o caos na Catalunha

Eram jovens, alguns quase adultos, outros mais adolescentes, deixaram a Catalunha em estado de sítio. Segundo a polícia, atuaram organizadamente e estavam bem treinados. José Manuel Anes, especialista português em segurança e criminalidade, acredita que pertenciam aos grupos anarquistas que têm como causa "a destruição e o caos" e não a luta independentista.