75 anos depois, irmãos reencontraram a mulher que os salvou dos nazis

Foi um reencontro emocionado, o que juntou em Jerusalém dois irmãos judeus com a mulher, hoje com 92 anos, que os escondeu e ajudou a fugir, depois de os nazis invadirem a Grécia, na Segunda Guerra Mundial

Melpomeni Dina não era muito mais velha do que Sarah Yanai e Yossi Mor, os dois irmãos judeus que protegeu e ajudou a fugir durante a ocupação nazi da Grécia, entre 1941 e 1944.

Adolescente ainda, Melpomeni e a irmã decidiram esconder toda a família de Sarah e Yossi (eram seis ao todo, os Mordechai) para evitar que fossem deportados para os campos de extermínio, como aconteceu a cerca de 80 mil judeus gregos durante a ocupação nazi do país.

Afrontando os ocupantes e correndo riscos que lhes poderiam ter custado a vida, as irmãs Melpomeni esconderam os Mordechai numa mesquita próxima, na cidade onde viviam, mas a partir de certa altura tiveram de os acolher na própria casa porque se tornara demasiado arriscado fazer-lhes chegar alimentos diariamente.

A situação tornou-se insustentável depois de uma das crianças dos Mordechai ter ficado muito doente. Melpomeni Dina e a sua irmã levaram-no ao hospital, mas o menino acabou por falecer. Na iminência de poderem ser descobertos pelos nazis, as irmãs Dina ajudaram a família judia a fugir, cada um para um local diferente, para terem mais probabilidades de escapar. Os Mordechai só voltaram a reunir-se depois da guerra.

Agora, mais de sete décadas passadas sem terem voltado a ver-se, dois dos irmãos reencontraram-se com Melponi, no que foi uma reunião muito emotiva e na qual fizeram questão de ter os filhos e netos presentes.

"Não há palavras para exprimir este sentimento", disse Sarah Yanai, citada na BBC News on line. "É uma emoção estarmos de novo juntos. Escondeu-nos na sua casa. Seis pessoas... não se imagina como era perigoso para ela, manter-nos todos. Salvaram-nos a vida".

Melponi Dina, hoje com 92 anos e reconhecida em 1994 pelo Museu do Holocausto como um dos Justos Entre as Nações - título dado a quem ajudou a salvar judeus durante a perseguição nazi -, disse por seu turno estar muito emocionada por reencontrar os dois irmãos.

Um total de 27 mil pessoas foram reconhecidas pelo Museu do Holocausto, em Jerusalém, como Justos Entre as Nações, e 355 são gregas.

Quatro portugueses fazem também parte dos Justos Entre as Nações: o cônsul português em Bordéus na época, Aristides Sousa Mendes, Carlos Sampaio Garrido, que foi embaixador na Hungria entre 1939 e 1944, e hospedou dezenas de judeus na sua casa, o padre Joaquim Carreira, que em 1943-44 deu abrigo a dezenas de pessoas em fuga da perseguição fascista quando era reitor do Colégio Pontifício Português de Roma, e José Brito-Mendes, que vivia em França, casado com a francesa Marie-Louise Brito-Mendes - juntos acolheram uma menina judia cujos pais foram mortos.