André Ventura na 6.ª Convenção do Chega.
André Ventura na 6.ª Convenção do Chega.Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

Ventura anunciou taxa sobre a banca que Meloni prometeu e suavizou

André Ventura quis mostrar que não está do lado dos poderosos. Para o provar, anunciou uma taxa sobre “lucros excessivos da banca”. Não se comprometeu com valores, mas o exemplo de Itália vale para perceber do que pode estar a falar.
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Música de discoteca, luzes estroboscópicas, fogo preso. O encerramento da Convenção Nacional do Chega em Viana do Castelo foi um espetáculo de luz e som, mas também um desfiar de promessas, a que André Ventura chamou umas vezes “promessa solene” noutras compromissos. Uma destacou-se: o anúncio de uma taxa sobre os “lucros excessivos da banca”.

Foi, curiosamente, essa a única medida que Ventura anunciou para combater a crise na habitação: “Será a banca e os seus lucros a pagar o crédito à habitação”, disse, depois de contrariar os que defendem que o Chega tem um projeto político que não põe em causa os ricos e poderosos e darem como exemplo o facto de Manuel Champalimaud ser um dos financiadores do partido.

André Ventura não se comprometeu com o valor da taxa a aplicar. A forma foi vaga disse apenas que “serão os lucros excessivos da banca” que terão de “pagar o crédito a habitação”. Em que moldes? Ventura não explicou, limitando-se a lembrar que os contribuintes já foram várias vezes chamados a suportar as perdas da banca. “Sim, porque nós já lá pusemos dinheiro”, atirou.

O caso do recuo italiano

A promessa de taxar os lucros excessivos da banca foi feita também em Itália por Giorgia Meloni, a primeira-ministra italiana que faz parte da família política do Chega.

O anúncio feito por Meloni em agosto de 2023 era o de que seria criada uma taxa de 40% sobre os lucros excessivos dos bancos, precisamente para “apoiar a compra de hipotecas [para habitação] e a redução de impostos".

"É uma medida congruente e vai alimentar as reduções fiscais e apoiar as hipotecas", afirmou o vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes e Infraestruturas italiano, Matteo Salvini, outro político próximo de Ventura. "Não estamos a falar de alguns punhados de milhões, mas de milhares de milhões", sublinhou, então.

Em setembro, o Governo de extrema-direita italiano era obrigado a recuar, face aos avisos do BCE.

Com as ações dos bancos a cair a pique, o Governo de Meloni esclareceu que a nova taxa sobre os bancos “prevê um limite máximo para a contribuição que não pode exceder 0,1% do total dos ativos”, muito abaixo do que tinha sido inicialmente anunciado.

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