O Serviço de Fronteiras da Ucrânia afirmou esta sexta-feira que Moscovo deslocou cerca de 30 mil soldados russos para a República Autónoma da Crimeia.O diretor dos recursos humanos do Serviço de Fronteiras, Mikail Koval, não esclareceu quantos efetivos ucranianos estão na Crimeia mas assegurou que todos os agentes de fronteira e das forças armadas ucranianas na Crimeia permanecem nos seus postos.O Conselho Superior da Crimeia (parlamento regional) adotou uma decisão para a sua reunificação com a Rússia, na quinta-feira, e convocou um referendo sobre esta questão para o dia 16 de março.Leia também: Ucrânia: Viktor Ianukovich internado em estado graveO vice-primeiro-ministro do Governo da Crimeia, Ruslan Termigaliev, disse à imprensa que as forças armadas russas deslocadas para a península serão consideradas legais e as restantes "de ocupação".Em Kiev, o Presidente interino, Oleksandr Turchinov, reagiu duramente aos acontecimentos na Crimeia dizendo que o referendo é "ilegal e ilegítimo" e assinalou que o parlamento ucraniano iria iniciar um processo para dissolver o parlamento na Crimeia.A Crimeia tem uma população de dois milhões de habitantes, sendo que 60% são russos, 26% ucranianos e 12% tártaros. O secretário-geral adjunto das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Ivan Simonovic, chegou na quinta-feira à Ucrânia, viajará para a Crimeia e tentará ainda visitar outras localidades no leste do país.Leia também: Iatseniuk: "Em caso de ataque, a Ucrânia reagirá""Simonovic fará uma avaliação das existentes e potenciais violações dos direitos humanos na Ucrânia. Planeia visitar a Crimeia, o oeste da Crimeia, o leste da Crimeia, mas a situação é muito fluida. A ideia é que visite Simferopol e outras cidades do leste do país", esclareceu Rupert Colville, o porta-voz da alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay.Colville explicou que Simonovic irá contar com a ajuda no terreno de sete especialistas em Direitos Humanos, dois dos quais já se encontram na Ucrânia, enquanto que os outros cinco irão viajar para Kiev no fim de semana.A visita de Simonovic, antigo ministro da Justiça croata, acontece depois de Robert Serry, enviado especial do secretário-geral da ONU para a crise na Crimeia, ter sido forçado a abandonar a península depois de um incidente com homens armados.