Com o concurso de acesso ao Ensino Superior em andamento, muitos já estão nesta procura por casa.
Com o concurso de acesso ao Ensino Superior em andamento, muitos já estão nesta procura por casa.Foto: Paulo Spranger

Vai entrar na universidade? O que saber para encontrar casa e conseguir apoios

Com o início do ano letivo cada vez mais próximo, milhares de estudantes procuram quarto ou casa. Saiba onde procurar, como evitar burlas e que apoios pode pedir.
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Procurar casa em Portugal não é tarefa fácil para ninguém. Os preços elevados das rendas, as exigências de vários pagamentos antecipados e a disputa pelos espaços disponíveis tornam a procura uma verdadeira missão. Pode ser ainda mais difícil para quem sai de casa dos pais para estudar.

Com o concurso de acesso ao Ensino Superior em andamento, muitos já estão nesta procura. A meta é conseguir uma habitação agora para entrar em setembro, quando começar o novo ano letivo. O DN preparou um guia com recomendações para quem está nesta busca, que marca uma etapa importante na vida de milhares de jovens.

O que é um estudante deslocado?

Diferente do que algumas pessoas podem pensar, a regra não depende apenas de estar a estudar noutra cidade. Segundo a Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), é considerado estudante deslocado aquele que, devido à distância entre a localidade onde reside e a localidade onde frequenta o curso, precisa de viver nessa localidade ou numa localidade próxima para conseguir frequentar as atividades curriculares. A condição de estudante deslocado depende também da inexistência, permanente ou sazonal, de transportes públicos entre as duas localidades ou da absoluta incompatibilidade dos horários.

A condição de estudante deslocado é atestada durante a análise do pedido de bolsa. No Ensino Superior público, essa análise é feita pelos Serviços de Ação Social (SAS) da instituição. No Ensino Superior privado, cabe aos serviços responsáveis pela ação social, habitualmente os Gabinetes de Ação Social. Em algumas instituições privadas, a análise pode ser assegurada pela DGES. Caso a situação se confirme, o estudante pode ter direito a um apoio financeiro para pagar a renda.

Os estudantes bolseiros que estejam na condição de deslocados também têm prioridade na atribuição de alojamento nas residências dos Serviços de Ação Social. Isso não significa, no entanto, que apenas os estudantes deslocados possam ter direito a uma vaga nestas residências.

E se não conseguir vaga ou se a universidade não tiver alojamento?

Se não conseguir uma vaga - que são disputadas - ou se a universidade que escolheu frequentar não tiver alojamento disponível, existem outras opções.

Preços protocolados

A DGES possui protocolos com diferentes entidades que disponibilizam alojamento para estudantes. Através destes protocolos, são disponibilizadas camas para estudantes do Ensino Superior a preços controlados. A rede pode incluir pousadas, hotéis, hostels, alojamento local, residências para estudantes e outras unidades de alojamento.

A DGES tem acordos com entidades representativas dos setores da hotelaria e do alojamento, além de protocolos específicos com outras organizações e com diferentes preços. A lista fica disponível no site da Direção-Geral. No entanto, até à hora de fecho deste texto, ainda não se encontrava atualizada.

Mercado privado

O mercado privado acaba por ser a alternativa para muitos estudantes. Arrendar um quarto é uma realidade não só para estudantes, deslocados, mas também para adultos e até mesmo famílias. A primeira procura é, muitas vezes, feita pela internet.

Existem vários sites de arrendamento, com fotografias e detalhes de cada habitação disponível. O mesmo acontece nas redes sociais, com anúncios em diferentes plataformas. O Facebook é uma das mais utilizadas para este fim, através de grupos específicos de arrendamento por zona.

Mas há vida fora da internet. Ao circular pelas zonas próximas de cada estabelecimento de ensino, é comum encontrar anúncios afixados em postes, paragens de autocarro e paredes. O mesmo acontece dentro das universidades, em murais de recados. Além destas opções, perguntar a outras pessoas sobre habitações disponíveis é também uma forma de conseguir encontrar alojamento.

Cuidado com as burlas

Seja qual for o método utilizado, existem algumas regras de segurança recomendadas por especialistas para evitar burlas. É muito importante visitar o imóvel em causa. Fotografias e vídeos podem não corresponder à realidade. Na hora de confirmar a escolha, é importante assegurar a existência de um contrato de arrendamento, essencial para o recebimento de apoios, por exemplo, além de garantir segurança jurídica. Por vezes, um preço mais barato sem contrato pode sair mais caro posteriormente.

Outra regra geral é nunca pagar para “segurar” um quarto que não viu e não transferir dinheiro apenas porque o anunciante diz que existem outros interessados. Antes de fechar o negócio, é também necessário confirmar quantas rendas e cauções são solicitadas antecipadamente. Aqui, é bom preparar o bolso: é comum, mesmo que a lei estabeleça limites, serem solicitados valores elevados por parte dos senhorios.

Mais um ponto a ter em consideração é a localização e a rede de transportes. Um preço mais barato pode não compensar o tempo e o custo da deslocação até ao estabelecimento de ensino. É ainda importante verificar quem mora na habitação e quantas pessoas lá vivem, bem como se a pessoa que está a tratar do negócio tem autorização para o fazer.

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