Vacinas doadas por Portugal vão permitir manter vacinação em Cabo Verde

Entrega de 24 mil vacinas insere-se no compromisso de disponibilizar aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste 5% das vacinas contra a covid-19 que Portugal adquirir.

O primeiro-ministro cabo-verdiano agradeceu hoje a Portugal a doação de 24.000 doses de vacinas contra a covid-19, assumindo que permitirá manter o processo de vacinação e atingir a meta de 70% da população imunizada este ano.

"Agradecer ao Governo português por este gesto, num momento em que a vacina é um bem raro, que todos os países estão à procura do mesmo. Vai ter uma grande importância no nosso processo de vacinação", destacou o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, em declarações aos jornalistas no aeroporto da Praia, após a descarga deste lote de vacinas da AstraZeneca, doado por Portugal e transportado num avião da TAP.

O chefe do Governo cabo-verdiano disse que a doação vai permitir "evitar que haja descontinuidade" no processo de vacinação contra a covid-19 em curso no arquipélago desde 19 de março, "mantendo" o compromisso de imunizar 70% da população até final do ano.

"As vacinas salvam vidas e salvam a economia. E precisamos de ter boas parcerias para que isso possa ser conseguido. E este gesto de Portugal é de facto de ter em conta como algo muito importante", sublinhou Ulisses Correia e Silva.

Destacou igualmente que Portugal é "um bom parceiro" de Cabo Verde, acrescentando que além do apoio já concretizado, uma equipa médica é esperada nos próximos dias no arquipélago, para reforçar os cuidados de saúde, face ao aumento de casos de covid-19 nas últimas semanas.

Cabo Verde recebeu 24.000 doses da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca em 12 de março e 5.850 da Pfizer dois dias depois, no âmbito do mecanismo Covax, iniciativa fundada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que visa garantir uma vacinação equitativa contra o novo coronavírus.

Desde 19 de março, o arquipélago já vacinou cerca de 15.900 pessoas com pelo menos a primeira dose das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca, dos quais 94% são profissionais de saúde.

Através do mecanismo Covax, segundo Ulisses Correia e Silva, Cabo Verde espera receber mais 80.000 doses de vacinas contra a covid-19, embora ainda não haja datas definidas para essa entrega.

"Estamos também em contacto com o Governo dos Estados Unidos da América, estamos em contacto com outros parceiros bilaterais para ver se conseguimos ter as vacinas necessárias para atingirmos a meta que nós definimos", disse ainda.

A entrega concretizada hoje por Portugal a Cabo Verde insere-se no compromisso assumido pelo Governo português, de disponibilizar aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste 5% de vacinas contra a covid-19 que adquirisse.

"Esta é a primeira entrega que fazemos no âmbito desse compromisso que foi assumido e que cumprimos agora com grande prazer", disse aos jornalistas, também no aeroporto da Praia, o embaixador de Portugal em Cabo Verde, António Albuquerque Moniz.

O diplomata recordou que no âmbito deste compromisso, Cabo Verde recebeu a primeira entrega, antecipada pelo Governo português devido à evolução da pandemia no arquipélago, e assumiu que é objetivo "disponibilizar mais vacinas".

"É o primeiro lote. Virão com certeza mais umas boas dezenas de milhar de vacinas", afirmou.

"O que esteve na mente das autoridades em Portugal foi precisamente a população cabo-verdiana e o gesto de solidariedade", disse ainda António Albuquerque Moniz.

Cabo Verde regista hoje 2.866 casos ativos de covid-19, com um acumulado de 27.672 infetados, 24.546 recuperações e 244 mortes por complicações associadas à doença desde 19 de março de 2020.

As vacinas doadas por Portugal foram acompanhadas do material necessário para viabilizar a sua administração, como seringas e agulhas, numa ação que resulta "do esforço conjunto", segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua e da embaixada de Portugal na Cidade da Praia, e do Ministério da Saúde, através da Direção-Geral da Saúde (DGS) e da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).

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