Portugal passou a integrar o grupo dos países da União Europeia (UE) com maior peso de população estrangeira, após a revisão dos números da imigração. Numa comparação entre os dados revistos e as estatísticas mais recentes da Eurostat, Portugal está ao nível da Bélgica e imediatamente abaixo de Espanha nas comparações da UE, ou seja, no top dez. Recorde-se que, na semana passada, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou dados revistos sobre o tema, revelando que 14% da população residente em Portugal é estrangeira. Apesar do aumento, o país continua longe de Estados-Membros como Luxemburgo, Malta e Chipre, onde a população estrangeira representa mais de 20% dos residentes.A comparação feita pelo DN baseia-se nas estatísticas oficiais mais recentes da Eurostat, referentes a 1 de janeiro de 2025, praticamente o mesmo período abrangido pela revisão do INE. Nessa tabela, Portugal surgia sem dados, acompanhados de uma nota de rodapé indicando que a informação não estava disponível. De facto, em 2025, com referência ao ano anterior, o INE não divulgou estatísticas sobre a população estrangeira, agora revistas em detalhe.Em 2021, os estrangeiros representavam 7,1% da população residente. Um ano depois, essa percentagem subiu para 9,8%, aproximando-se dos 10%. Em 2023, ultrapassou essa barreira e atingiu 12,1%. Em 2024, voltou a aumentar para 13,5% e, em 2025, chegou aos 14%, o equivalente a cerca de um em cada sete residentes no país. Ou seja, o panorama mudou bastante num espaço de quatro anos.Mas como fica Portugal neste ranking agora? Até 2022, o país apresentava uma proporção de residentes estrangeiros próxima dos 10%, um nível semelhante ao de países como a República Checa, a Finlândia e a Lituânia. Com os 14% agora divulgados pelo INE, Portugal aproxima-se de Espanha e Bélgica e ultrapassa Itália, Grécia, Finlândia e Hungria. Na prática, deixa o grupo dos Estados-Membros com uma presença intermédia de população estrangeira e aproxima-se dos países onde essa proporção é mais elevada. Ainda assim, continua bastante distante dos Estados-Membros com maior concentração de população estrangeira, sobretudo devido à forte procura de mão de obra. O Luxemburgo é um caso único e lidera o ranking: quase metade da população residente é estrangeira (47%). No entanto, diferente de muitos Estados-Membros e mesmo do caso de Portugal. Tem uma população de 682 mil habitantes, cerca de 17 vezes menor do que a portuguesa.A maioria dos estrangeiros é de algum país europeu. Os portugueses, inclusive, constituem a maior comunidade estrangeira do país, com mais de 14% do total. Na sequência estão nações próximas geograficamente: franceses ( 7,6%), italianos (3,7%), belgas (3,1%) e alemães (2%) completam o top cinco.A seguir está Malta, onde quase 30% da população é estrangeira, num país com 574 mil habitantes (dados oficiais de 2024). Em relação à nacionalidade dos estrangeiros, o cenário é diferente do Luxemburgo, com a maior parte dos cidadãos de fora da UE, como Índia, Filipinas e Nepal. Há também europeus, como italianos e sérvios. Há a semelhança com Portugal no quesito do espaço curto de tempo que a população estrangeira aumentou. Entre 2012 e 2024, o número de estrangeiros aumentou mais de oito vezes, com a percentagem de estrangeiros passando de menos de 10% para quase 30% em dez anos. Ou seja, a transformação demográfica foi muito mais acelerada do que em Portugal.Na terceira posição, com 24,8% da população estrangeira está o Chipre. O pequeno país possui 98 mil habitantes. Não há dados recentes por nacionalidades, mas notícias dão conta de que após 2021 houve um aumento de cidadãos de nações como Índia, Nepal e Bangladesh, tal como em Portugal. O Chipre é também um destino de imigração de filipinos, além de estar numa posição geográfica que o faz receber um grande número de refugiados do Médio Oriente.Na Áustria, com pouco mais de nove milhões de habitantes (parecido com Portugal), mais de 20% da população é estrangeira. Alemães são a larga maioria, seguidos de romenos, turcos, sérvios e húngaros. De fora da Europa, os sírios são a maioria. O país possui também dados sobre a origem migratória (filhas de dois pais nascidos no estrangeiro), que aumenta a percentagem para 27,8% da população.Na comparação da Eurostat, o país seguinte é a Estónia, mas com uma particularidades. Apesar de ter uma percentagem elevada de estrangeiros, é resultado em grande medida da herança da União Soviética e, mais recentemente, da chegada de refugiados da Ucrânia após a guerra iniciada em 2022. Ou seja, não se trata de uma imigração laboral recente como em Portugal ou Malta. Ainda assim, o país tem vindo a receber nos últimos anos comunidades de países como Índia e Nigéria.O ranking a partir de dados da Eurostat mostra ainda Irlanda e Alemanha antes do grupo onde Portugal está (na ordem dos 14%). É o caso também de Bélgica, Letónia e Dinamarca.Os números mostram que cada Estado-Membro tem uma história particular relacionada com a imigração. Em Portugal, as estatísticas provam que o aumento foi exponencial num curto período de tempo, apesar de ser um destino de imigração desde 1980.A nacionalidade brasileira continua a ser a mais representativa, com 35,9% da população estrangeira residente. Em segundo lugar está a nacionalidade angolana, com 103.140 pessoas, o equivalente a 6,5% do total de estrangeiros. Cidadãos da Índia estão em terceiro lugar, com um total de 93.683 pessoas a residir em Portugal. amanda.lima@dn.pt.População em Portugal atinge 11,4 milhões. Imigrantes são 14% dos residentes.Qual é o retrato da população brasileira residente em Portugal? Número atualizado chega a 574.195 cidadãos