Trinta postos de venda de jogo fechados por quebrarem regras

Fechos não têm relação com as apostas Placard, mas alguns foram decididos por violarem a proibição de jogo a menores

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa encerrou, no ano passado, 30 postos de venda de jogos que violaram regras como a proibição de apostas a menores de 18 anos. Nenhuma das extinções estará relacionada com o Placard, mas a SCML garante suspender as atividades de mediação se vier a verificar-se que há pontos de venda que permitem que os menores apostem no novo jogo da Santa Casa, que já conquistou mais de 400 mil portugueses.

Segundo avançou o JN, "há menores viciados no Placard, que jogam até o dinheiro das refeições". De acordo com a mesma publicação, a GNR identificou dois jovens de 15 e 16 anos que apostavam, em Alpiarça, assim como o proprietário de uma papelaria próxima da escola secundária. Sobre o caso, Fernando Paes Afonso, vice-provedor e administrador executivo do Departamento de Jogos da SCML, disse ao DN que continua "a aguardar o auto da GNR de Alpiarça" e garantiu que, caso se confirme que houve falhas, "será suspensa a atividade de mediação e será iniciado um procedimento de extinção."

Se o mediador permitiu que os menores apostassem no Placard, "o caso é suficientemente grave para a extinção da mediação." O jogo foi lançado há quatro meses e, desde então, a SCML ainda não recebeu nenhuma indicação de infrações relativas aquele que é já o terceiro mais jogado. "Apenas tem sido reportado pelos mediadores que há tentativas de menores jogarem nos jogos da Santa Casa e não só no Placard", diz Paes Afonso.

Em 2015, a SCLM extinguiu cerca de 30 mediações num universo aproximado de 4800 pontos de venda, por incumprimento das regras expressas no Regulamento dos Mediadores dos jogos sociais do Estado. Há casos em que os mediadores permitiram que menores apostassem em jogos como o Euromilhões, o Totobola ou a Raspadinha e que "deram lugar a procedimentos de extinção, mas são poucos casos". Paes Afonso diz que "é um aspeto frisado em todas as ações de formação de mediadores" e, perante o que pode estar em causa", estes são "bastante cautelosos." Mas há exceções.

O Departamento de Jogos da SCML tem "poder de autoridade administrativa". "Explora os jogos que são do Estado e que são altamente regulados". Fiscaliza e colabora com autoridades como a ASAE, a PSP e a GNR na deteção de infrações. "Existem vários pontos de controlo." O primeiro é exercido pelo mediador, que terá de exigir um documento de identificação na primeira vez que o apostador se apresentar no seu posto de venda. Nesse momento, é-lhe dado um talão que lhe permitirá apostar no futuro. Para Fernando Paes Afonso, "esta questão tem que ver com a educação parental, para a cidadania."

Pais não devem permitir jogo

Na opinião de Pedro Hubert, psicólogo especialista em dependência do jogo, ainda será demasiado cedo para falar em vício no Placard, uma vez que o jogo só tem quatro meses. "Mas isso não quer dizer que não haja pessoas que não estejam já a ter problemas", destaca. É um jogo atraente e, como em qualquer outro, existem duas populações de risco: "Os mais novos, até aos 25 anos, porque ainda não têm grande controlo sobre os impulsos, e os reformados." Para não abrirem precedentes, os pais não devem sobrepor-se à lei, permitindo que os filhos menores joguem. "Quanto mais tarde entrarem em contacto, melhor", justifica.

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