Trabalhadores por turnos do IPMA estão hoje em greve

Greve poderá pôr em causa a vigilância meteorológica aeronáutica e dificultar a regularidade e eficiência dos voos comerciais, bem como a previsão meteorológica geral, alerta a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.
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Os trabalhadores em regime de trabalho por turnos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) estão esta terça-feira em greve, exigindo o pagamento de trabalho em dias feriados, em falta desde janeiro.

A greve poderá pôr em causa a vigilância meteorológica aeronáutica e com isso dificultar a regularidade e eficiência dos voos comerciais, bem como a previsão meteorológica geral e a dos centros de vigilância sísmica e de tsunamis, alerta a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.

A greve registou uma adesão entre os 95% e os 100%, com a observação aeronáutica a paralisar completamente, segundo o sindicato.

Em declarações à Lusa, Elisabete Gonçalves, dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais disse que "existem turnos diferentes. Alguns começam às oito, outros começam à meia-noite, e nós temos estado a fazer o balanço das várias entradas de turno, e neste momento temos uma adesão à greve na ordem dos 95%".

No entanto, indicou, no caso dos aeroportos, "que é a observação aeronáutica, de norte e sul do país estão praticamente todos, a 100%" em greve, destacou.

"Esta greve, ao nível dos aeroportos, tem a ver essencialmente com a informação meteorológica que é dada para os aeroportos", indicou.

"Os trabalhadores estão em greve, não houve marcação de serviços mínimos, mas os trabalhadores do IPMA dentro desta área sabem o trabalho que exercem, têm responsabilidades e estão a assegurar nos seus postos de trabalho as situações de urgência e de calamidade que possam vir a surgir", assegurou.

Segundo Elisabete Gonçalves, "neste momento, os trabalhadores que estão abrangidos por esta greve são cerca de 120, porque é muito localizada, as reivindicações são específicas para estes trabalhadores, não é uma greve que abrange todo o IPMA", explicou.

Segundo a Federação, que marcou a greve, a paralisação abrange os trabalhadores do IPMA com funções de observação, vigilância, previsão e comunicação meteorológica geral e aeronáutica, sísmica e de tsunamis, que prestam trabalho em regime de turnos.

Em comunicado a estrutura sindical explica que após uma reunião com os secretários de Estado do Mar e das Pescas, a 19 de junho, o "Governo continua sem dar resposta à solução" do problema "bem como à criação da carreira especial e à regulamentação do regime de prevenção e da sua compensação".

"Embora os dois secretários de Estado tenham reconhecido que é preciso encontrar soluções para as questões colocadas e que voltariam a reunir com a Federação, na primeira semana de julho, não só não o fizeram, como se limitaram a dizer que a questão não está esquecida, mas...", diz-se no comunicado.

A Lusa contactou o IPMA e espera resposta, mas na página Internet da entidade as tradicionais previsões descritivas só foram realizadas para os Açores. No Continente e Madeira, lê-se "sem informação devido a greve".

Os meteorologistas dizem ainda que "no cumprimento da Missão em Serviço Público do IPMA, a vigilância meteorológica não será interrompida. A informação para salvaguarda de vidas e bens será disponibilizada".

Elisabete Gonçalves explicou que as reivindicações destes trabalhadores por turnos passam pelo "pagamento de trabalho normal em dia feriado", pela "criação da carreira de observador geofísico e meteorológico", pela "regulamentação do trabalho por turnos, que também não existe" e pela "questão do recrutamento de mais trabalhadores para esta atividade".

Segundo a dirigente sindical, a Federação reuniu-se com os secretários de Estado do Mar e das Pescas em junho, tendo ficado combinada "uma nova reunião no princípio de julho", que acabou por não se realizar. "Colocámos a situação aos trabalhadores e decidiram avançar para uma ação de luta como a greve", disse Elisabete Gonçalves.

De acordo com a responsável, o Governo agendou, entretanto, uma reunião para quarta-feira, para debate das propostas "que o Governo tem para a resolução desta situação".

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