Quinze homens agridem agente da PSP em Beja; um agente da PSP fica ferido após ser atingido por uma pedra em Vila Franca de Xira; dois militares da GNR atingidos a tiro em Côta (Viseu); um elemento da Guarda baleado em Leiria.Estes são apenas quatro casos dos inúmeros exemplos de ataques a elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Guarda Nacional Republicana (GNR) noticiados nos últimos meses e que vão integrar as estatísticas de crimes contra as forças de segurança.No ano passado, os militares da GNR foram alvo de 1245 crimes, de acordo com dados oficiais enviados ao DN por esta força. No caso da PSP (que não enviou os seus dados oficiais até ao fecho desta edição), no Relatório de Segurança Interna (RASI) de 2025, é referido que 944 agentes sofreram agressões. Destes, sete foram internados, 560 receberam assistência e não tiveram necessidade de ser hospitalizados e 377 não sofreram ferimentos. Em relação à GNR, 172 militares foram agredidos mas não tiveram ferimentos, 159 ficaram feridos sem necessidade de ficar num hospital e três necessitaram de internamento.Juntando os crimes contra os elementos da Guarda às agressões a agentes da PSP temos 2189 casos de delitos cometidos contra as forças de segurança.Um cenário que aumentou em relação a 2024 no caso da GNR: 1162 crimes comparando com 1245 no ano passado. Já no que diz respeito à PSP a comparação é efetuada nos seguintes itens: feridos com internamento – sete em cada ano; sem internamento – 528 e 560 e agressões sem ferimentos – 302 e 377, respetivamente em 2024 e 2025. Ou seja, registou-se um aumento de agressões a agentes da Polícia de Segurança Pública.Aumentar penas não chega e 'bodycams' são bem vindasEm abril do ano passado foi publicada a Lei n.º 26/2025 que agrava as molduras penais a quem for condenado por agredir polícias, guardas prisionais e bombeiros. Uma alteração que, todavia, não tem impacte no dia a dia dos agentes.“Não é uma questão de mudança legal, tanto que se alterou e não deu nada. O serviço está mais arriscado e há uma agudização de alguns comportamentos sociais”, salienta ao DN Paulo Jorge Santos, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Policia (ASPP-PSP). “Temos de falar em contexto dinâmicos, da necessidade de formação, de ter mais polícia no terreno. Um indivíduo que vá agredir um polícia não pensa na pena que pode sofrer”, frisa, lembrando que há um outro interveniente com um papel importante na punição das agressões aos agentes de autoridade: “Muitas vezes no tribunais não têm a visão da complexidade do trabalho dos policias no terreno. Tribunais têm de compreender o que se passa.”Opinião idêntica tem César Nogueira, líder da Associação dos Profissionais da Guarda (APG): “É preciso aplicar a lei também. Nem sempre quem tem esse poder a aplica. A própria justiça na sua morosidade transmite um sentimento de impunidade.”Ambos estão de acordo num outro ponto: a necessidade de colocar em prática o uso de bodycams, cujo concurso público internacional deverá decorrer até dia 19. “É uma forma de dissuadir”, sublinha César Nogueira. “Esperemos que avancem o mais depressa possível para escrutinar as ocorrências”, acrescenta Paulo Santos.A necessidade de colocar mais elementos a ocorrer a uma ocorrência é outra das exigências. “É diferente estar um ou dois militares ou quatro ou cinco, aí o prevaricado vai pensar antes de tentar agredir”, defende César Nogueira que reconhece a dificuldade da GNR em ter mais elementos. “O próprio comando não consegue arranjar efetivos. Muitas vezes é com pessoal que ainda é estagiário e que só pode acompanhar a patrulha, o que ainda é pior, pois o militar tem de proteger também o colega”Reivindicações sustentadas nos dados estatísticos – no caso da GNR no primeiro trimestre do ano registaram-se 257 crimes contra militares, uma ligeira descida comparando com os 272 dos primeiros três meses do ano passado – e que acabam por ir ao encontro das declarações do Presidente da República nos 115 anos da GNR. “Nos últimos anos, têm vindo a público episódios preocupantes de agressões a agentes das forças de segurança. Estes acontecimentos não são apenas ataques individuais; são sinais de uma erosão de valores fundamentais que sustentam a convivência de uma sociedade livre”, destacou António José Seguro na cerimónia dos 115 anos da GNR, no início de maio. “Desrespeitar a autoridade legítima, agredir quem nos protege, é fragilizar a nossa liberdade. Em sociedade, não há liberdade sem regras. Não há direitos sem deveres. E não há segurança sem respeito mútuo”, acrescentou. .A “erosão de valores” que ameaça quem serve o Estado.Há três anos que as entradas na PSP não compensam as saídas