Circulação no Metro de Lisboa retomada após greve parcial dos trabalhadores

Trabalhadores do Metro de Lisboa estão contra o congelamento salarial e exigem o preenchimento imediato do quadro operacional e as progressões na carreira. Está previsto mais um dia de greve parcial a 2 de novembro e uma greve de 24 horas no dia 4 do próximo mês.

A circulação no Metropolitano de Lisboa retomou a normalidade cerca das 10:00 desta terça-feira, depois de uma greve parcial de trabalhadores entre as 05:00 e as 09:30, disse à Lusa fonte da empresa.

Os trabalhadores do Metro de Lisboa cumpriram uma nova greve parcial, entre as 05:00 e as 09:30, em protesto contra o congelamento salarial, exigindo o preenchimento imediato do quadro operacional e as progressões na carreira.

Em declarações esta manhã à Lusa, Anabela Carvalheira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), disse que a adesão à greve era elevada, encontrando-se as estações encerradas.

"Até esta hora [06:45], os trabalhadores que deviam ter entrado ao serviço não entraram. Não temos maquinistas, nem posto de comando central, o que significa que todas as estações estão fechadas. Não há circulação de comboios", disse Anabela Carvalheira.

Na origem da greve estão, segundo Anabela Carvalheira, várias questões que "vão além da matéria salarial", sublinhando a importância do "preenchimento imediato do quadro operacional e as progressões na carreira".

Trabalhadores exigem não só aumento salarial, mas também melhores condições de vida e de trabalho

Anabela Carvalheira disse que há um aumento do descontentamento e os trabalhadores exigem não só um aumento salarial, mas também melhores condições de vida e de trabalho, de forma a promover a continuidade de um bom serviço público de transporte.

"Em causa está o não aceitar o congelamento salarial, independentemente de no início desta negociação, em janeiro, o conselho de administração ter colocado em cima da mesa um aumento de 10 euros para todos os trabalhadores, que depois não se veio a verificar. Temos questões que nos preocupam muito como a falta de trabalhadores operacionais, quer seja nas áreas operacionais de movimento e da tração, quer seja na manutenção", disse.

A sindicalista disse também que os trabalhadores não concordam com a intenção da empresa em externalizar serviços na área da fiscalização.

"Temos imensas estações desguarnecidas por falta de trabalhadores, o que demonstra uma falha de segurança também para os utentes. Desde 2019 que andamos para resolver o problema relativamente às chefias operacionais para completar os quadros, o que tem motivado por falta de efetivos problemas graves de saúde para os trabalhadores que tentam fazer mais do que um horário de trabalho", contou.

"Nós temos aprovado pelos trabalhadores este período de lutas, mas não significa que não possamos até lá resolver esta questão, desde que haja vontade do Governo e do conselho de administração. Estamos disponíveis para em qualquer altura arranjar soluções", concluiu.

A greve ocorreu entre as 05:00 e as 09:30, para a generalidade dos trabalhadores, e das 09:30 às 12:30 para o setor administrativo e técnico, de acordo com o sindicato. A paralisação repete-se na quinta-feira.

Está também previsto mais um dia de greve parcial em 2 de novembro e uma greve de 24 horas em 4 de novembro.

O pré-aviso de greve foi entregue em 6 de outubro "devido à falta de respostas às questões colocadas, quer em reuniões com o ministro do Ambiente, quer com o presidente do Metropolitano de Lisboa", segundo a FECTRANS.

Os trabalhadores do metro realizaram greves parciais ao serviço em maio e junho tendo em conta as mesmas reivindicações apresentadas para a nova paralisação.

O Metropolitano de Lisboa opera com quatro linhas: Amarela (Rato-Odivelas), Verde (Telheiras-Cais do Sodré), Azul (Reboleira-Santa Apolónia) e Vermelha (Aeroporto-São Sebastião), das 06:30 às 01:00 todos os dias.

Notícia atualizada às 11:11

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