Hospital de Santa Maria é dos que regista maior pressão na urgência em Lisboa e Vale do Tejo, mais de 20 horas de espera para doentes não urgentes.
Hospital de Santa Maria é dos que regista maior pressão na urgência em Lisboa e Vale do Tejo, mais de 20 horas de espera para doentes não urgentes. Foto: Arquivo Global Imagens

Tempos de espera nas urgências ainda acima do recomendado em Lisboa e Vale do Tejo e Algarve

Depois de um semana com tempos muito acima dos recomendados, sobretudo para doentes urgentes, às 12horas deste domingo só duas regiões registavam tempos médios excessivos para primeira observação, com os hospitais de Santa Maria, Barreiro e Portimão em pior situação.
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A região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) continuava às 12 horas deste domingo (16 de agosto) com mais de 200 doentes nas urgências gerais para serem atendidos e com um tempo de espera para primeira observação que ainda ultrapassa largamente o recomendado pela triagem de Manchester para doente urgentes - 4h45m, quando deveria ser 60 minutos; além de 3h42m para doentes pouco urgentes, em vez de 120 minutos; 11h29m para doentes não urgentes, quando só deveria ir até 240 minutos; e 22 minutos para muito urgentes, quando deveriam ser 10 minutos.

Mesmo assim, conseguiu melhorar os tempos registados na última semana, ou no sábado à mesma hora. Mas nesta região há serviços de urgência mais pressionados do que outros, nomeadamente o do Hospital de Santa Maria, que registava a meio do dia um tempo médio para primeira observação dos doentes de 6h53m, ou o do Hospital do Barreiro, com 8h59m.

Relativamente a Santa Maria, um dos maiores do país, o Portal do SNS indicava 1h36 para observar doentes urgentes (triados com pulseira amarela), 33 minutos para doentes muito urgentes (pulseira laranja), 10h16 para os doentes pouco urgentes (pulseira verde) e 21h46m para doentes não urgentes (pulseira azul).

No Hospital Nossa Senhora do Rosário, Barreiro, o tempo de espera para doentes urgentes era de 8h42m, para os pouco urgentes 7h04m, não urgentes 23h05m, enquanto para os muito urgentes o portal indicava zero minutos, embora tivessem explicado ao DN que os muito urgentes são encaminhados para outras unidades.

Na região do Algarve, os hospitais de Faro e de Portimão têm registado tempos de espera superiores aos recomendados, mas com Portimão em pior situação. Neste domingo, os tempos melhoraram, mas ainda assim com um tempo de espera para doentes urgentes de 1h56m, de 4h02m para pouco urgentes, 2h26m para não urgentes e apenas dois minutos para doentes muito urgentes.

Recorde-se que, sábado, dia 15, o presidente da ULS do Algarve, Tiago Botelho, veio negar os tempos de espera registados no portal do SNS, dizendo que estes “são alimentados pelo sistema Alert, que, em condições de funcionamento normal, fornece os dados dos tempos de espera para o Portal do SNS, faz uma média de poucas horas de atividade".

A nível do país, as outras regiões, Norte, Centro e Alentejo, registam menos tempo de espera, dentro do recomendado. No Norte, os doentes urgentes esperam em média para primeira observação 47 minutos, os pouco urgentes 48 minutos, os não urgentes 3h07m e os muito urgentes dois minutos. No Centro, os urgentes esperavam 48 minutos, os pouco urgentes 1h12m, os não urgentes 1h07m e os muito urgentes 17m. No Alentejo, os urgentes esperam 34 minutos, os pouco urgentes 51 e os não urgentes 1h43m.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, também já veio admitir que os tempos de espera registados durante a última semana, e que o DN noticiou na quinta-feira, para observação de doentes urgentes “não eram aceitáveis” e que “a rede teria de ser revista”. No entanto, sublinhava o facto de haver menos urgências fechadas do que no ano passado.

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