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análises de sanguePAULO SPRANGER

Técnico de sangue detido pela PJ foi suspenso de funções e proibido de entrar em Coimbra pelo tribunal

O homem foi detido na quarta-feira, na sequência de uma investigação iniciada em janeiro, após denúncia do Instituto Português do Sangue e da Transplantação.
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O técnico de sangue detido na quarta-feira por suspeitas de crimes de peculato, corrupção de substâncias e/ou propagação de doença foi esta sexta-feira, 24 de abril, proibido pelo tribunal de entrar em Coimbra e suspenso de funções, anunciou a Polícia Judiciária (PJ).

Em declarações aos jornalistas, Avelino Lima, diretor da Diretoria do Centro da PJ, esclareceu que todas as medidas de coação propostas foram integralmente aceites pelo juiz do Tribunal da Comarca de Coimbra, onde o homem de 66 anos foi presente a primeiro interrogatório judicial.

Para além da suspensão de funções e da proibição de se deslocar a Coimbra (vive nas imediações da cidade), o homem ficou ainda proibido de se deslocar ao local de trabalho – o Centro de Sangue e da Transplantação, localizado em São Martinho do Bispo, naquela cidade - e de contactar com testemunhas no processo e funcionários daquele organismo tutelado pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST).

O arguido foi detido na quarta-feira, na sequência de uma operação policial, desencadeada no âmbito de uma investigação iniciada em janeiro, após denúncia do IPST, por suspeita de subtrair e manipular indevidamente materiais utilizados na produção de componentes sanguíneos, havendo perigo de contaminação.

Em declarações à agência Lusa, Avelino Lima explicou que a motivação do homem de 66 anos passaria pela venda das peças metálicas, em cobre, um metal “bastante procurado” no mercado.

“É um material que tem um bom valor comercial, há aqui claramente uma intenção de obter proveitos económicos, é inequívoco”, argumentou o diretor da Polícia Judiciária, notando que o suspeito – que estará no topo de carreira da administração pública – está, por isso, indiciado pelo crime de peculato.

As peças em causa, novas e usadas, que, segundo um comunicado divulgado na quinta-feira pela PJ, o suspeito “subtraía e manipulava indevidamente”, são denominadas, em termos técnicos, ‘lâminas de conexão estéril para tubuladuras, utilizadas em equipamentos de produção de produtos sanguíneos’, as chamadas ‘pools’ de plaquetas, ou seja, um componente sanguíneo oriundo de vários dadores.

“O instituto percebeu que haveria alguma inconformidade, denunciou e a investigação avançou de imediato. Estamos a falar de factos potencialmente lesivos da confiança que temos de ter nestes institutos e nesta realidade”, já que o Centro de Sangue e da Transplantação de Coimbra é responsável pela colheita, processamento e distribuição de sangue na região Centro, argumentou Avelino Lima.

Por poderem existir riscos associados de contaminação dos componentes sanguíneos produzidos com recurso a materiais da mesma natureza daqueles manipulados indevidamente pelo técnico agora detido, e face à prova recolhida pela investigação, o homem foi também indiciado pela prática dos crimes de corrupção de substâncias alimentares ou medicinais e/ou de propagação de doença e alteração de análise ou de receituário, adiantou a PJ.

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Técnico de sangue detido por peculato e corrupção de substâncias

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