Sobreviveu seis dias soterrado nos Himalaias. Mas morreu no hospital

Depois de sobreviver ao impossível, ao ficar soterrado por 11 metros de neve, após uma avalanche, soldado indiano morreu ontem

Quando as equipas de busca já não esperavam encontrar ninguém vivo, o inesperado aconteceu: o soldado indiano Lance Naik Hanamanthappa Koppad, de 33 anos, foi resgatado com vida, seis dias depois de uma avalanche nos Himalaias, que provocou nove mortes. "Esperamos que o milagre continue", dizia um porta-voz do exército. Mas não continuou. Resgatado em estado crítico, o militar não conseguiu sobreviver, tendo sido confirmada ontem a sua morte.

O grupo de dez soldados indianos foi surpreendido por uma avalanche, no dia 3, quando fazia uma patrulha num glaciar, o Siachen, a 5800 metros de altitude, junto à fronteira com o Paquistão. As equipas de busca já tinham anunciado que existiam poucas hipóteses de encontrar alguém com vida, quando resgataram Lance Naik. Nada fazia prever que alguém sobrevivesse depois de tantos dias enterrado na neve.

O soldado indiano, soterrado por cerca de 11 metros de neve, enfrentou temperaturas negativas de aproximadamente 45 graus Celsius. Terá sobrevivido graças a uma bolsa de ar criada por uma tenda, que permitiu que respirasse. Foi encontrado depois de terem sido deslocadas para o terreno 150 a 200 pessoas com diferentes equipamentos, entre os quais radares e detetores térmicos.

Quando foi encontrado, Lance Naik estava consciente, mas desorientado. Em comunicado, o exército adiantou que o homem estava em estado de choque, desidratado, em hipotermia e hipoglicemia. Foi transferido para o Hospital de Referência e Investigação do Exército, onde foi internado na Unidade de Cuidados Intensivos.

Horas antes do óbito, a instituição informou que o seu estado estava a agravar-se, pois Lance Naik não estava a responder à medicação. Segundo o Indian Express, agravou-se a disfunção de múltiplos órgãos e, apesar de a medicação estar a ser administrada nas doses máximas, os rins continuavam sem funcionar. A pneumonia piorou e o militar permanecia num estado de coma profundo.

No Twitter, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, manifestou o seu pesar pela morte de Koppad: "O soldado em você permanece imortal." Lance Naik é descrito pelo exército como uma pessoa que estabelecia relações cordiais com os seus pares e subordinados. Era casado com Mahadevi Ashok Bilebal e tinha uma filha de 2 anos, Netra.

Depois do resgate do dia 9, conta o site indiano, as atenções viraram--se para o soldado. Altamente motivado, entrou para o 19.º Batalhão do Regimento de Madras a 25 de outubro de 2002. Passou dez dos 13 anos de carreira em zonas difíceis. Entre 2003 e 2006, Lance Naik serviu em Jammu e Caxemira, onde esteve envolvido em operações de contrainsurgência. Ofereceu-se para voltar ao mesmo local entre 2008 e 2010, tendo ido posteriormente para as operações no Nordeste.

O soldado estava desde agosto do ano passado naquele que é considerado o campo de batalha mais alto do mundo, devido ao contencioso territorial sobre Caxemira entre a Índia e o Paquistão. Não raras vezes, as temperaturas no glaciar Siachen andam abaixo dos 40 graus Celsius, com ventos que rondam 100 km/hora. Durante o inverno, são frequentes as avalanches e os deslizamentos de terras na região. Desde 1984, é estimado que cerca de oito mil soldados tenham morrido no glaciar, não a combater, mas vítimas de avalanches, deslizamentos, hipotermias, mal da montanha (doença das alturas) ou ataques cardíacos.

Exclusivos