"Só consegui agarrar-lhe na mão com muita força"

Pedro Tavares, de 25 anos, é diácono. Em julho será ordenado padre e foi escolhido para participar na cerimónia com Papa

Quando soube que ia ter oportunidade de falar com o Papa Francisco, o diácono Pedro pensou em muitas coisas para lhe dizer mas, depois, nas duas vezes que o cumprimentou não conseguiu falar: "Só consegui olhar para ele, sorrir-lhe e agarrar-lhe na mão com muita força", conta o seminarista. "O que ele pediu muito às pessoas que cumprimentava foi: Prega per me, ou seja, reza por mim. E eu rezei."

Pedro é de Peniche, tem 25 anos e vai ser ordenado padre em julho. A história da sua vocação é, como ele diz, uma história de portas que se abrem, "e eu sempre a fechá-las mas a deixar a chave de fora. Foram vários os momentos em que eu senti que Deus me pudesse estar a dizer alguma coisa e eu fechava a porta com medo". Foi com a visita do Papa Bento XVI, em 2010, que a questão vocacional de Pedro "voltou ao de cima". "Tocou-me muito o último parágrafo da homilia no Terreiro do Paço, quando o Papa disse: queridos jovens, não tenham medo de seguir Jesus, e mostrar aos vossos amigos como é bom segui-Lo, e que só seguindo Jesus podemos encontrar o caminho da nossa vida."" A mensagem de Bento foi de tal forma importante que em setembro desse ano entrou para o seminário. "E é muito interessante porque a questão vocacional desperta com a vinda do Papa Bento XVI e agora, sete anos depois, eu estou a sair do seminário com a vinda do Papa Francisco."

Pedro foi convidado pelo serviço litúrgico do santuário para participar na cerimónia. Ele diz que não foi uma participação especial, mas foi. Na noite de sexta-feira foi ele que cantou os evangelhos, desfilando, destacado, com os livros dos evangelhos na mão, à frente do Papa. "A imagem que se tem ao descer da Basílica da Santíssima Trindade em procissão e se vê as velas e o santuário que parece que nos abraça, percebemos que isto é de facto a mão de Deus a atuar, é a confirmação de algo que aconteceu há 100 anos aqui e que acontece todos os dias. Só pode ser. Percebemos que Deus toca estes milhares de pessoas de maneiras tão diferentes mas com o mesmo objetivo, que é levá-los a Jesus."

Na cerimónia de ontem, o diácono Pedro incensou as relíquias de Francisco e Jacinta e levantou o cálice com o Papa Francisco. Ele insiste que não foi nada de especial: "Um dos mestres de cerimónia disse-nos que o primeiro serviço que nós tínhamos que fazer era ajudar as pessoas a rezar e rezar pelo Santo Padre, portanto, que a liturgia que nós fossemos celebrar fosse de facto um momento de oração. Isso foi. E não houve serviços especiais, mais perto ou mais longe do Papa isso não interessa. Poder servir o altar no centenário das aparições com o sucessor do apóstolo Pedro é uma coisa que não acontece todos os dias, é uma graça muito grande. Só posso ficar agradecido por isso, porque eu não mereço nada. Acredito que Deus queria usar-me como seu instrumento para que outros pudessem rezar. E se eu conseguir isso fico feliz."

No final destes dias intensos, quer em termos físicos quer a nível emocional, Pedro está exausto. Mas leva consigo algo muito especial: "O olhar misericordioso de Deus". O diácono fixou especialmente uma das passagens da homilia, quando Francisco disse: "Nós temos uma mãe". "Nós estamos aqui aos pés de Deus na Cova de Iria, com o Santo Padre, com milhares de fiéis, mas acima de tudo, estar ao colo de Maria." A experiência deste jovem ainda seminarista vai ser importante no padre em que ele se vai tornar. "Será importante mas não pelo que eu fiz, não por ter estado ao lado do Papa mas por ter estado no centenário das aparições. É o que vai ser mais importante para a minha caminhada, com o exemplo do santo Francisco e a santa Jacinta."

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