Não foi ainda a bonança que o país aguarda após sucessivas tempestades. Embora este domingo (8 de fevereiro) tenha sido o mais parecido com isso que tivemos nos últimos 12 dias, com uma manhã sem chuva, foi apenas um mero intervalo, pois o mau tempo está de volta e 48 municípios continuarão em situação de contingência até ao dia 15. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) alertou para isso mesmo, lembrando que, apesar do desagravamento meteorológico das últimas horas, “a situação continua bastante crítica” em relação a risco de cheias, pela saturação de solos e albufeiras em níveis máximos.O comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, chamou a atenção para “as condições meteorológicas do final de domingo, madrugada de segunda-feira e para dia 10, terça-feira, quando está previsto mais um episódio meteorológico, que poderá ter alguma severidade”. Por isso, justificou, “mantêm-nos a todos em profunda situação de alerta”.Afinal, a guerra climática continua no terreno, com o balanço de pessoas deslocadas a ter subido para as 1272, com linhas férreas condicionadas, escolas encerradas e um número flutuante de casas sem energia elétrica, à medida que a subida do nível das águas vai causando novos estragos na infraestrutura.Ao início da tarde, estavam registadas pelas autoridades um total de 11.213 ocorrências que originaram 1272 deslocados em todo o país, sobretudo devido a deslizamentos de terras. “Esta é a situação que mais desalojados esta a criar”, referiu Mário Silvestre, no briefing à imprensa. Por isso mesmo, o comandante pediu especial atenção às populações para eventuais situações de risco envolvendo o aluimento de terras.Um dos concelhos que mais tem sido atingido por estas movimentações de terras tem sido Arruda dos Vinhos, com várias estradas e casas destruídas. Este domingo ficou a saber-se que, em algumas zonas do concelho, os seus habitantes deverão também sofrer cortes no abastecimento de água.O mesmo já aconteceu este domingo em três aldeias do massacrado concelho de Álcacer do Sal. As aldeias de Casebres, Vale de Guizo e Arez ficaram sem água potável devido a uma conduta que rebentou, segundo informou fonte da autarquia.O corte de água mantém-se em algumas localidades em vários pontos do país, sobretudo na região de Leiria, a mais devastada pela depressão Kristin no dia 28 de janeiro.Energia avança em Pedrógão Ao nível da energia elétrica, a situação também está ainda longe de estar controlada. Cerca de 70 mil clientes estavam ao início desta tarde sem energia, segundo adiantou a E-Redes. O progresso no reestabelecimento da luz tem sofrido avanços e recuos, à medida que o agravamento recente do tempo, com cheias e ventos, tem causado novos danos à infraestrutura, transformando esta luta numa corrida entre o gato e o rato. A região de Leiria concentra a maioria dos casos sem fornecimento, num total de 42 mil. Seja como for, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria no olho do furacão a grande maioria do território já consegue ligar a luz.Este domingo, a energia elétrica encontrava-se restabelecida em 84% do território de Pedrógão Grande, mas a autarquia apelou à população que faça um uso “responsável e racionado”, de modo a evitar novas quebras no fornecimento. A Câmara Municipal de Pedrógão Grande refere que, “de acordo com a informação da E-Redes, mantém-se um avanço significativo na distribuição de energia elétrica, tendo em consideração os danos causados”. “A E-Redes continua no terreno, para garantir que a energia elétrica chegue a todo o território do concelho o mais rapidamente possível, tendo no terreno vários geradores”, apoiados logisticamente pelo município de Pedrógão Grande, refere a mensagem da autarquia publicada nas redes sociais.Entre o briefing das 8h00 e o das 12h00 deste domingo, a E-Redes conseguiu reestabelecer a energia a seis mil clientes.Embora o inédito ‘comboio’ de tempestades que assola o território nacional tenha incidido mais nas regiões centro e sul, os estragos também continuam a fazer-se sentir a norte. Este domingo, no distrito do Porto, nove estradas estiveram condicionadas devido a inundações, quedas de árvores e postes de iluminação pública e aluimentos de terras, em Gondomar, Vila Nova de Gaia, Marco de Canaveses e Baião, indicou o comando da GNR/Porto. Perante estas situações, que deverão continuar a acontecer enquanto se mantiverem as más condições atmosféricas, a GNR pede aos automobilistas para planearem antecipadamente os percursos, utilizar vias alternativas e cumprir a sinalização temporária no local.Perante a crescente magnitude do impacto deste comboio de tempestades, algumas iniciativas locais estão a surgir complementarmente aos já anunciados apoios do Estado, anunciados pelo Governo no montante de 2,5 mil milhões de euros. A Câmara Municipal de Alvaiázere anunciou a criação de um Fundo Municipal de Emergência, no montante inicial de 500 mil euros, que poderá ser reforçado.