"O Reino Unido tem de longe os serviços de informação mais fortes da Europa. O MI6 é extraordinário.” Esta frase, da autoria de Robert Gorelick, um antigo chefe de Estação da CIA foi uma das escolhidas pelos jornalistas da revista francesa L’Express como ilustração para o facto de esta secreta britânica ser considerada a melhor do mundo.O posto liderança surgiu depois de os repórteres Etienne Girard, Alexandra Saviana e Elsa Trujillo terem ouvido 60 especialistas nesta área, representando 25 países. Por Portugal participou Jorge Silva Carvalho, antigo diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa.Neste trabalho de investigação publicado nesta segunda-feira (3 de agosto) e centrado na Europa, os serviços de informação portugueses surgem no 19.º lugar numa tabela em que estão 21 países e que é liderada pelo MI6, seguindo-se o serviço de inteligência francês DGSE (Direção-Geral de Segurança Externa). O 3.º lugar é ocupado pelos serviços de inteligência e segurança interna dos Países Baixos - a AIVD. Sendo que há no texto referência a países como o Luxemburgo, Grécia ou a Irlanda que não receberam qualquer pontuação.Quanto a Portugal as referências não são muitas. Uma delas surge como um elogio, apesar do 19.º lugar ocupado no ranking, quando é escrito que os serviços europeus que têm interesse pelas questões africanas consultam “regularmente os seus homólogos belgas e portugueses, considerados as maiores autoridades na República Democrática do Congo e na África Austral, respetivamente”.Uma outra referência a Portugal surge quando é citada Susan Miller, antigo membro da Central Intelligence Agency (CIA). De acordo com a L’Express, a responsável referiu que “após o 11 de Setembro [de 2001, aquando do ataque às Torres Gémeas em Nova Iorque], tentámos compartilhar análises com nações amigas, incluindo Portugal. Não tinham muito a oferecer, mas estavam disponíveis”.Inspiração no futebolOs autores desta investigação ao mundo dos espiões explicam que tentaram perceber como funciona o que chamaram “guerra invisível”. Entre as conclusões escrevem que os serviços secretos mais respeitados são aqueles que conseguem ter “um ‘topo’ (espião infiltrado) nos corredores do poder na Rússia, na China e no Irão. Seguem-se as agências capazes de conseguir atos de sabotagem e de intercetar dados sensíveis.Para conseguir tal ranking a L’Express diz ter convidado 60 especialistas a quem pediu para elegerem o seu top-5 de serviços secretos europeus com base na sua experiência, inspirado na Ballon d'Or do futebol ou no Festival Eurovisão da Canção. Frisam ter tido recusas, mas que muitas das pessoas contactadas aceitaram falar sobre a profissão e dar a sua análise e, garante a revista, que entre os participantes estavam 17 chefes ou ex-chefes de serviços secretos, bem como representantes da CIA e do Mossad.Foi este grupo que elegeu o MI6 como os “serviços de informação mais fortes da Europa”, como frisou o já referido Robert Gorelick, antigo chefe de estação da CIA. “Os britânicos têm a capacidade de jogar a longo prazo, de apostar em fontes ao longo de dez anos, um pouco como os russos. E têm uma inclinação para táticas dissimuladas”, descreve um ex-executivo da DGSE, segundo a revista.E é a DGSE que surge na segunda posição e a explicação para tal encontra-se numa frase de um antigo oficial dos serviços secretos polacos: “É o único serviço da Europa continental com um alcance virtualmente global. Eles combinam recolha técnica, inteligência humana e capacidades operacionais.” Entre os seus pontos fortes está o Serviço de Ação, uma das poucas entidades no mundo capaz de “neutralizar” discretamente um alvo no estrangeiro.O participante português neste trabalho é citado na análise ao serviço que fecha o pódio: o AIVD. “É o melhor retorno do investimento! Têm o historial mais impecável e inspiram confiança”, diz Jorge Silva Carvalho.Referência para o serviço secreto europeu que surge na 4.ª posição: o ucraniano. “Inovação, engenho, disponibilidade para correr riscos... São os melhores hoje”, elogia um antigo chefe dos serviços secretos polacos. A terminar referência para o destaque negativo que é dado pelos especialistas ouvidos à Hungria, Bulgária e Eslováquia. A razão: são permeáveis à influência russa..O que fazem os espiões portugueses e de onde são os espiões estrangeiros que estão cá?.Secretas lançam primeira campanha pública de recrutamento da sua história