Os prejuízos provocados pela passagem da depressão Kristin, na madrugada de quarta-feira, 28 de janeiro, nas unidades de saúde da região de Leiria, a mais afetada e que envolve os concelhos de Alcobaça, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Ourém, Pombal e Porto de Mós, ainda não estão totalmente contabilizados. Também não se sabe o número de consultas e de cirurgias adiadas nos dias seguintes por falta de condições ou pela necessidade de concentrar recursos nas urgências hospitalares para dar resposta às situações agudas, mas os profissionais “já estão a trabalhar”, afirma ao DN Rafael Henriques, dirigente do Sindicato dos Médicos da Zona Centro (SMZC), uma das três estruturas que integram a Federação Nacional dos Médicos (Fnam). Mas o relato deste médico que pertence à ULS de Leiria continua: “No primeiro dia após a tempestade, muitos centros de saúde fecharam, não havia luz, água, muitos estragos nas infraestruturas e houve muitos profissionais com problemas nas próprias casas, os filhos sem escola e não tinham condições para vir trabalhar. No segundo dia (quinta-feira, dia 29), após a avaliação feita pela Proteção Civil e depois de terem sido colocados alguns geradores a dar apoio às unidades de cuidados primários, já foi possível retomar nalguns sítios o trabalho em serviços mínimos, para evitar que os utentes tivessem que se dirigir à urgência e sobrecarregar ainda mais os cuidados hospitalares. Mas, domingo (dia 1 de fevereiro), todas as unidades foram informadas pelo Conselho de Administração da ULS da Região da Leiria (ULSRL) que os centros de saúde sede teriam capacidade para voltar a funcionar com normalidade, uma vez que a luz e a água tinham sido restabelecidas. E, apesar de haver ainda danos estruturais nos edifícios, muitos ficaram sem proteção de telhado, com portas e vidros partidos, e ainda com água a cair nalguns gabinetes, os profissionais dos cuidados primários têm estado a trabalhar”. Rafael Henriques ressalva mesmo que o e-mail da ULS admitia a possibilidade, pontual, de haver locais com atividade limitada e a ter de reorganizar o seu trabalho, mas “a maior dos cuidados primários está a funcionar normalmente”. .Hospitais e centros de saúde do Oeste com "cirurgias e consultas adiadas" e "vacinas em risco de ir para o lixo". O DN contactou o gabinete de comunicação da ULSRL que garantiu também que a atividade nos centros de saúde estava “a funcionar em pleno” e que a “hospitalar deveria ficar até ao final do dia desta segunda-feira, dia 2 de fevereiro”. Na resposta, a ULSRL afirma que “a atividade assistencial no Hospital de Santo André, em Leiria, está a retomar a normalidade, prevendo-se que esteja totalmente restabelecida até ao final do dia”, sublinhando que “o Serviço de Urgência está a funcionar sem qualquer constrangimento, garantindo resposta plena à população”. Em relação aos Cuidados de Saúde Primários, “todos os centros de saúde sede dispõem de energia elétrica e retomaram a sua atividade”. No entanto, segundo apurou o DN um destes pólos, nomeadamente o da Marinha Grande, ficou sem gerador e não conseguiu retomar a sua atividade, mas a ULS explica que “nos pólos que se mantêm inoperacionais os seus profissionais continuarão a ser redistribuídos pelos centros de saúde sede e a prestar cuidados de saúde às populações”.O dirigente sindical do SMZC explicou ainda que o que está a acontecer, pelo resumo do dia de ontem, é que “muitos utentes estão a faltar às consultas agendadas, o que é natural, pois também têm as suas casas destruídas, ainda voltaram ao trabalho ou porque ainda têm de ficar com os filhos ou porque têm algum tipo de lesão traumática. Há vários condicionamentos, mas a atividade programada segue o procedimento normal”. O restabelecimento das comunicações continua a ser o mais complicado, embora a ULSRL garanta que estas já se “encontram operacionais”, havendo apenas uma exceção, a “Unidade de Internamento de Doentes de Evolução Psiquiátrica Prolongada”.O dirigente sindical afirma ao DN que a informação que tem da atividade programada hospitalar, que suspendeu toda a atividade em consulta e cirurgia, após a tempestade, “é que iria ser retomada nesta segunda-feira”. No dia 29, a Fnam alertava para o facto de haver centros de saúde encerrados, hospitais que tiveram de adiar cirurgias e consultas, para concentrar recursos na urgência, e que na ULS do Oeste “havia vacinas em risco de ir para o lixo”, a falta de eletricidade fez com que fossem transferidas para o Hospital das Caldas da Rainha”, mas a ULS diz que o plano de contingência foi ativado de imediato. O DN questionou ainda a ULSRL sobre o balanço da situação dos óbitos que, na semana passada, e como foi noticiado, estavam a encher a morgue do hospital de Leiria, mas não obteve resposta. .Leiria. Morgue do hospital está a encher por dificuldade no levantamento de cadáveres. ULS diz que "capacidade não está esgotada"