O antigo primeiro-ministro José Sócrates disse esta quinta-feira, 14 de maio, não estar otimista quanto ao desfecho da ação administrativa em que exige pelo menos 50 mil euros ao Estado devido à demora do processo Marquês.“A minha confiança na Justiça portuguesa não permite grandes otimismos, mas aqui estamos”, afirmou o chefe de Estado entre 2005 e 2011, à chegada ao Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, onde a ação intentada há nove anos começa esta quinta-feira a ser julgada.Segundo a petição inicial, datada de 06 de fevereiro de 2017 e a que a Lusa teve acesso, em causa está sobretudo a alegada violação pelo Ministério Público dos prazos para a conclusão do inquérito, comprometendo assim o direito do ex-governante a uma decisão judicial num prazo razoável.“O que para mim é absolutamente espantoso é que não se tenha claro que ao longo destes anos todos, 12 anos, quatro deles foram passados em inquérito, sem que eu tivesse responsabilidade nenhuma nesse prazo”, insistiu hoje.“Três anos e meio em instrução, eu também não tive responsabilidade nenhuma”, acrescentou, alegando que, dos 12 anos que o processo Operação Marquês tem, “mais de 11 são da responsabilidade inteirinha do Estado judiciário”.O inquérito do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), no âmbito do qual José Sócrates chegou a estar preso preventivamente, foi aberto em julho de 2013 e a acusação foi deduzida em outubro de 2017.Após uma longa fase de instrução e recursos nos tribunais superiores, o julgamento do ex-governante socialista e outros 20 arguidos por corrupção e outros crimes começou em 03 de julho de 2025 no Tribunal Central Criminal de Lisboa, faltando ainda ouvir dezenas de testemunhas.Em abril de 2026, o antigo primeiro-ministro, de 68 anos, acusou a Justiça de ter marcado o julgamento da ação administrativa para hoje e amanhã por “medo da jurisdição europeia”, na qual José Sócrates intentou, em 2025, uma outra ação contra o Estado português.A acusação foi rejeitada pelo Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais, que garantiu que a ação administrativa obedeceu a “uma sequência regular de atos, com intervalos que, em regra, não ultrapassaram os três meses”. .Justiça nega receio das instâncias europeias ao marcar para maio ação de Sócrates contra o Estado