Relíquias do navio-almirante de Henrique VIII estão à distância de um clique

Um crânio, cabos de facas e outros objetos recuperados nos destroços do Mary Rose podem ser analisados online em 3D

O Mary Rose, navio-almirante de Henrique VIII, teve um final inglório após mais de três décadas de serviço e muitas batalhas navais disputadas. No dia 19 de julho de 1545, naquela que ficaria conhecida como a batalha do Solent - estreito que separa a ilha de Wight da Grã-Bretanha -, as forças invasoras francesas aproveitaram o facto de boa parte da frota britânica estar retida no porto, por falta de vento, para lançarem um ataque às embarcações. O grande navio, de mais de 700 toneladas, liderou a resposta. Mas não chegou a entrar em ação: inesperadamente, tombou sobre um dos lados e o peso da carga fez o resto, arrastando-o para o fundo do mar com 500 marinheiros.

Mas este não seria o final da história. Depois de uma redescoberta acidental, em 1836, em que foi recuperada parte do seu armamento, o navio voltaria a desaparecer durante cerca de 140 anos. Até que finalmente voltou a ser localizado, em 1979, dando origem a uma das maiores operações de arqueologia marinha da história. Agora, a divulgação da história do Mary Rose promete tornar-se ainda mais democrática, com o lançamento através da internet de modelos em 3D de vários despojos retirados do naufrágio. Partes destas detalhadas digitalizações, incluindo o crânio de um carpinteiro com perto de 40 anos e manifestos problemas de dentição, um fragmento da corda usada nas amarrações ou de cabos de facas e outras peças de madeira trabalhadas estão acessíveis a todos os interessados no portal. Outros destinam-se a cientistas que, esperam os autores desta iniciativa, possam analisar as imagens virtuais e descobrir segredos que até agora escaparam a quem tem trabalhado com estes achados.

Em 1982, a parte do casco (cerca de 40%) que sobreviveu ao naufrágio e ao desgaste dos elementos foi devolvida à superfície, juntamente com mais de 19 mil artefactos. O casco encontra-se hoje em exibição na doca histórica de Portsmouth, onde tinha sido construído, permitindo aos visitantes uma visão incomparável de um dos primeiros verdadeiros navios de guerra do mundo e o último, entre os que foram construídos durante a dinastia Tudor, a chegar até aos dias de hoje.

Já os objetos recuperados, bem como os restos mortais da tripulação que foram recuperados, estão à guarda do Museu Mary Rose, aberto em 2013, na mesma cidade. Parte deles podem ser visitados pelo público em geral. Outra está reservada aos investigadores que, ao longo dos anos, têm feito várias descobertas, desde os problemas de raquitismo que tinham afetado boa parte dos tripulantes na infância aos gostos da época em termos de instrumentos musicais.

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