Rei Ghob começa a ser julgado em maio por 542 crimes de violação de menores

Francisco Leitão foi condenado em 2012 por triplo homicídio

Francisco Leitão, conhecido como "Rei Ghob", condenado em 2012 por triplo homicídio, começa a ser julgado em maio em Loures num processo em que responde por 542 crimes de violação de 12 menores, que aliciava para sua casa.

O início do julgamento, que vai decorrer no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Norte - Loures, está agendado para 15 de maio, havendo sessões já marcadas para 29 de maio, 12 e 26 de junho e 10 de julho, sempre à segunda-feira e durante todo o dia, segundo um despacho da juíza presidente, Cidalina de Sousa de Freitas, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), deduzida a 20 de maio de 2016 e a que a Lusa teve acesso, o arguido, atualmente com 48 anos, está acusado de 542 crimes de violação, seis de pornografia de menores e ainda de ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada e devassa da vida privada.

Os crimes terão ocorrido entre 2009 e 19 de julho de 2010, dia em que o arguido foi detido pela Polícia Judiciária por ser o principal suspeito do homicídio de três jovens, pelo que viria a ser condenado em 2012 a 25 anos de prisão.

O MP sustenta que Francisco Leitão, que exercia a atividade de sucateiro, convivia com vários jovens, com idades entre 14 e 17 anos, aparecendo como o amigo que os levava a passear, que pagava jantares ou bebidas e que oferecia telemóveis.

O homem dizia ter poderes sobrenaturais que comprovava com a "encenação de sessões espíritas e incorporações de entidades com recurso a adereços de magia, luzes e gravadores", o que causaria medo nos adolescentes.

"As vítimas eram levadas a ter uma perceção adulterada da realidade, na qual acreditavam e à qual se sujeitavam, permitindo que o arguido as manipulasse", sublinha o MP.

A acusação frisa que 'Rei Ghob' levava as vítimas a acreditar que existiam "cópias" negativas dos humanos, que pretendiam a sua destruição. Para as salvar e eliminar, teriam de "atingir determinados níveis de energia no corpo".

Quando ganhava a sua confiança e sabia que estariam convictos dos seus poderes, levava os jovens para a sua casa, na Carqueja, Lourinhã, onde os amedrontava incorporando "entidades" sobrenaturais ou dizendo que vinha a mando delas informá-los de que eles ou seus familiares corriam perigo de morte.

Para evitar as consequências, teriam de se sujeitar a "injeções de energia", que, como descreve a acusação, seriam transmitidas do corpo do arguido para o corpo da vítima sob a forma de relações sexuais.

Por medo, os jovens acediam, sendo obrigados a cumprir um "calendário de práticas sexuais", em cujas datas as intenções libidinosas do agressor terão sido consumadas.

Diversas vezes incitava também práticas sexuais entre os jovens, observadas por si, relata o MP.

Com outros jovens, Francisco Leitão dava bebidas com "medicamentos ou substâncias análogas", levando-os a estados e períodos de inconsciência para concretizar as suas intenções.

A acusação acrescenta que, em várias ocasiões, o arguido utilizava câmaras de vídeo instaladas na sua residência para filmar as práticas, sem o consentimento das vítimas.

As queixas chegaram ao MP ainda em 2009, mas o inquérito foi arquivado.

Contudo, o processo foi reaberto na sequência de buscas domiciliárias da Polícia Judiciária e de novas denúncias no período em que o arguido esteve a ser investigado, julgado e foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver dos três jovens.

Francisco Leitão foi detido preventivamente em julho de 2010, veio em março de 2012 a ser condenado a 25 anos de prisão pelo Tribunal de Torres Vedras e cumpre pena no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus.

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