Rui Duarte esteva à procura de uma atividade para fazer com as crianças e encontrou o workshop.
Rui Duarte esteva à procura de uma atividade para fazer com as crianças e encontrou o workshop.Foto: Amanda Lima

Refugiados em Portugal ensinam crianças e adultos a arte da culinária do Médio Oriente

Workshop realizado no restaurante Mezze, em Lisboa, reuniu dezenas de pessoas para celebrar o Dia Mundial do Refugiado.
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Com olhos atentos e curiosos, crianças e adultos observam as habilidosas mãos da síria Shiraz Aref Shekho, que ensina a preparar balaklavas deliciosas e aromáticas. Os mesmos olhares dirigem-se ao iraquiano Mohammed, que mostra como fazer um autêntico pão sírio, o khubz. "A água não pode estar demasiado quente, porque mata o fermento, mas também não pode estar fria, porque a massa fica muito elástica", explica o profissional, que está em Portugal há dez anos, país que hoje considera o seu lar.

Os ensinamentos dos dois cozinheiros fizeram parte de um workshop realizado no restaurante Mezze, em Lisboa, para assinalar o Dia Mundial do Refugiado, em parceria com a associação Pão a Pão. O valor angariado com as inscrições na iniciativa, promovida pela Fundação ACNUR Portugal, destinou-se a apoiar pessoas que, como Shiraz e Mohammed, precisam fugir de guerras nos seus países de origem para sobreviver.

Ao longo do dia, crianças e adultos aprenderam mais do que a preparar húmus ou babaganoush (incluindo o segredo para deixar a beringela no ponto certo): aprenderam que existem pessoas com características físicas, tons de pele e sotaques diferentes, provenientes de outras culturas.

Foi precisamente essa aprendizagem que motivou Sofia Neves e João Ribeiro a levarem os filhos, de seis e oito anos, ao workshop. "É para que tenham uma visão do mundo desde pequenos, para perceberem que existem pessoas diferentes, com realidades diferentes, que passam por dificuldades", afirma João Ribeiro, economista, ao DN.

Sofia Neves sublinha igualmente a importância de ensinar os filhos a conhecer outras culturas e, dessa forma, a não terem receio do outro. "É uma tentativa nossa de tirar os nossos filhos um pouco da bolha em que vivem, de lhes dar a conhecer outras pessoas e de os ajudar a serem empáticos, sem preconceitos nem xenofobia", explica a mãe das crianças, também economista. O casal soube da existência do workshop por ser doador regular da Fundação ACNUR Portugal.

Mohammed ensina a fazer o pão sírio.
Mohammed ensina a fazer o pão sírio.Foto: Amanda Lima

Dar a conhecer esta visão do mundo foi igualmente o que motivou o gestor Rui Duarte a levar os filhos, de quatro e seis anos, à atividade. "Estava à procura de algo para fazer com eles e encontrei este workshop. Achei interessante não só pelo lado gastronómico, mas também pela componente de integração", conta ao jornal.

Rui Duarte destaca que, tal como a esposa, já foi emigrante em vários países e considera importante ensinar os filhos a conhecer outras realidades. "Eu e a minha mulher achamos que é muito importante que os nossos filhos aprendam, desde cedo, a conviver e a integrar-se com pessoas diferentes, algo que já vivem na escola, onde têm colegas de vários países", afirma.

Soraya Ventura, diretora da fundação ACNUR com Portugal, avalia que os objetivos da iniciativa foram atendidos. “Estamos muito felizes com o resultado e ver famílias trazendo as crianças, o trabalho de sensibilização é algo muito importante e que ajuda a nossa causa”, resume.

A diretora está contente com o resultado do trabalho da fundação. "Estamos com quase 24 mil doadores regulares e temos como meta chegar aos 30 mil", conta. Segundo Ventura, todas as contribuições são bem-vindas e importantes, mas, as regulares são as que mais necessita. "Uma doação regular salva vidas muito mais, porque as pessoas comem todos os dias, as famílias são grandes, os conflitos não acabam. Pelo contrário", explica.

A diretora convida as pessoas a acessarem o site da fundação para saber como podem ajudar a causa. Em breve, serão anunciadas atividades para celebrar o Dia Mundial da Paz e o aniversário do ACNUR.

amanda.lima@dn.pt

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