A refinaria de Sines da Petrogal e a TAP foram as instalações/empresas mais poluentes do país em 2025, um ano marcado também pelo aumento das emissões das centrais elétricas.De 2024 para 2025, as 10 instalações mais poluentes de Portugal registaram um aumento global de emissões de gases com efeito de estufa, segundo um balanço divulgado esta sexta-feira, 29 de maio, pela associação ambientalista Zero.Num comunicado, a Zero destaca como alterações mais relevantes de 2024 para 2025, além do aumento das emissões das centrais térmicas de gás natural fóssil para produção de eletricidade, a redução relevante de emissões na refinaria de Sines, que ainda assim se mantém, pelo sexto ano consecutivo, como a instalação mais poluente.Nas contas da Zero, a refinaria de Sines teve uma redução de 16% das emissões, em relação a 2024, fixando-se em 2,2 milhões de toneladas, seguindo-se a TAP, que aumentou as emissões em 1% e emitiu 1,1 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2).O terceiro lugar é agora ocupado pela Central Termoelétrica de Lares (Figueira da Foz), da EDP, que subiu cinco posições (de oitavo lugar para terceiro), com um aumento de emissões de 215%.Os lugares seguintes são ocupados por cimenteiras, mantendo-se no quarto lugar a CIMPOR de Souselas, que reduziu 1% as emissões, e no quinto lugar a CIMPOR de Alhandra, que reduziu as emissões em 25%.Outra cimenteira, a SECIL do Outão, surge em oitavo lugar, uma descida de três lugares na lista e uma redução de 22% das emissões.Os lugares seis e sete são ocupados pela ELECGÁS, do Pego, e pela EDP, Central Termoelétrica do Ribatejo.A primeira manteve-se no sexto lugar, mas com mais 43% de emissões, e a EDP Ribatejo registou a maior subida, de um modesto 16.º lugar em 2024 para o sétimo no ano passado e um aumento de 326% de emissões.A lista fica completa com a CMP, fábrica de cimentos Maceira e Pataias (Leiria), em nono lugar, uma descida de dois lugares, e em 10.º a LUSICAL (Santarém), de produção de cales não hidráulicas, que também desceu um lugar, com as mesmas emissões.Ao todo, as 10 entidades foram responsáveis no ano passado pela emissão de 8,9 milhões de toneladas de CO2, mais 7% em relação aos 8,3 milhões de 2024.Na análise dos dados a associação ambientalista refere a redução da Galp, relacionada com uma paragem programada, para dizer que o valor da refinação continua a mostrar um peso muito significativo dos combustíveis fósseis na economia portuguesa e nas emissões poluentes, e aconselha mais investimentos nas renováveis.E nota também o aumento do peso do gás natural fóssil, “claramente resultado” da gestão da geração elétrica pós apagão, “com reflexo num aumento de 1,4 milhões de toneladas nas emissões das centrais termoelétricas a gás fóssil”.No futuro próximo não deverá haver grandes diferenças nos principais setores emissores de dióxido de carbono, devendo haver um crescimento do setor da aviação, diz a Zero.No ano passado, a produção de energia renovável manteve-se em máximos históricos, mas estabilizou em relação a 2024.No entanto, como o consumo de eletricidade aumentou para o mais elevado valor de sempre e as importações diminuíram, “o sistema recorreu muito mais às centrais de ciclo combinado a gás natural, cuja produção cresceu cerca de 97%”.A Zero aponta para a necessidade de as unidades industriais fazerem a transição, justa, de abandono dos combustíveis fósseis.O trabalho da associação insere-se no âmbito do projeto LIFE EFFECT, financiado pela Comissão Europeia (CE) para, nomeadamente, promover uma maior participação da sociedade civil nos processos de tomada de decisão e de monitorização.Foi feito com base nos dados da CE sobre o registo de emissões associado ao Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE), que integra as principais unidades de setores fortemente emissores de dióxido de carbono, principal gás de efeito de estufa causador de alterações climáticas..Empresas portuguesas destacadas no FT pelo corte nas emissões. EDP no top-20