Rede que importava cocaína do Brasil através do Porto de Leixões condenada a penas até 17 anos
A perda alargada de bens, penas de prisão efetiva e multas são o resultado do julgamento de um grupo condenado por tráfico de droga em Portugal. O principal arguido recebeu uma pena única de 17 anos de prisão pelos crimes de tráfico de estupefacientes, associação criminosa, detenção de arma proibida e branqueamento. Os detalhes foram divulgados pelo Ministério Público (MP) esta quinta-feira, 1 de outubro.
O condenado é Fábio "Freak", de nacionalidade portuguesa, tendo ficado comprovado que "a atividade do principal" arguido era importar droga proveniente do Brasil. "Desde o ano de 2020 atuava em conjunto com um outro indivíduo de paradeiro desconhecido", consta da informação do MP.
O indivíduo foi detido no dia 28 de fevereiro de 2024, nas imediações de uma das suas residências, em Vila Nova de Gaia. Tinha regressado do estrangeiro, para onde tinha fugido depois da operação realizada no Porto de Leixões, em outubro de 2023.
Naquele ano, a Polícia Judiciária (PJ) realizou duas grandes operações no porto, uma em maio e outra em outubro. Em maio, foram apreendidos 78,30 kg de cocaína, dissimulada num compartimento da embarcação, no interior do casco.
Em outubro, foram apreendidos mais 90 quilos da droga, nos mesmos moldes: proveniente do Brasil e dissimulada num contentor. O método utilizado consistia em largar a droga no mar, para depois ser recuperada por mergulhadores. O valor dos estupefacientes no mercado poderia chegar a quase cinco milhões de euros.
A investigação apontou que o dinheiro era lavado através de vários negócios. Entre eles estavam a "compra e venda de veículos, investimentos imobiliários e uso das contas bancárias associados à sociedade arguida e a estabelecimentos comerciais (restaurante e barbearia) explorados pelos arguidos".
Em relação aos funcionários do Porto, ficou provado que os trabalhadores utilizaram o "conhecimento técnico" que tinham para ajudar na introdução da droga. Os valores recebidos pelo serviço rondavam entre 10.000 e 40.000 euros, de acordo com o MP. Os funcionários foram igualmente condenados.
amanda.lima@dn.pt

