Quer apanhar sol em Armação de Pêra? Vá marcar lugar de madrugada

Falta de espaço explica situação, que, embora não seja ilegal, é considerada "falta de civismo"

Imagens captadas, às oito da manhã, na praia de Armação de Pêra, em Silves, mostram um "areal fantasma" repleto de chapéus-de-sol e toalhas, mas vazio de banhistas. Com quase duas mil partilhas e 236 mil visualizações, o vídeo partilhado pela página "Caracóis e Imperiais" denuncia uma situação que tem desagradado os internautas, que dizem ser um costume recorrente, lamentável e observável em outras zonas balneares do país.

Nesta praia silvense, o hábito é deixar o chapéu-de-sol e a toalha às seis da manhã, voltar para casa e, eventualmente, aproveitar o dia no areal, enfurecendo quem, entretanto, procura (sem sucesso) um bom lugar ao sol.

Esta é uma situação que, segundo o capitão do Porto de Portimão e comandante da polícia marítima da mesma cidade, "se arrasta há muitos anos" e é não só provocada "pela falta de espaço", mas já se transformou numa "questão tradicional."

Ao longo dos verões não têm sido, contudo, tomadas medidas para prevenir a situação, apelidada pelos visitantes, nas redes sociais, de "praia fantasma", na medida em que, de acordo com as autoridades, não constituí uma ilegalidade.

"Há muitas outras praias onde o areal também é escasso e isto não acontece", comenta o capitão, que explica que a natureza residencial da área pode justificar o cenário denunciado. "As pessoas querem apanhar lugar junto de casa. Do meu conhecimento, só há uma outra praia com uma situação semelhante, que é a Praia da Quarteira [em Loulé]", acrescenta.

Ao DN, o responsável pelo restaurante António João Pereira Caixinha, localizado no areal de Armação de Pêra, confirma a situação e sublinha que esta é uma "questão de falta de civismo" que acontece há vários anos. "Há muita ocupação, é uma forma de marcar lugar", realça.

No Programa para a Orla Costeira Odeceixe- Vila Moura, é prioridade o aumento da área areal em questão com materiais provenientes do estuário do rio Arade. A alimentação artificial da Armação de Pêra segue um procedimento já experimentado em outras praias do país.

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