O novo sistema eletrónico de fronteiras arrancou com filas em Portugal, com a Polícia de Segurança Pública (PSP) a acompanhar a situação ao minuto. Foi definido que, quando o tempo médio de espera começa a ultrapassar os 40 minutos, os agentes deixam de recolher a foto e as impressões digitais, mas sem suspender o sistema. A explicação dada ao DN é do superintendente Sérgio Soares. “É uma opção operacional, para não termos tempos de espera muito superiores, para não acontecer aquilo que aconteceu no Natal. Vamos fazendo uma gestão muito criteriosa, balanceada, sempre em coordenação com as entidades aeroportuárias”, explica. As operações são acompanhadas pelo diretor nacional-adjunto João Ribeiro, responsável pela Unidade de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF). Lisboa é naturalmente o aeroporto que merece maior atenção, mas o acompanhamento ocorre também em Faro.A suspensão da recolha aconteceu em alguns momentos nesta segunda-feira, 13 de abril e durante o fim de semana. “Foram períodos curtos de tempo, mas o sistema esteve sempre a funcionar”, refere o superintendente. Segundo a PSP, a capacidade de profissionais é plena neste momento. “Estamos com capacidade total. Todos os postos de fronteira disponíveis nos vários aeroportos estão ocupados com polícias da PSP, com formação de guarda de fronteira”, afirma.Mas não foi apenas em Lisboa que a situação foi complicada para os passageiros. Relatos em vários jornais europeus referem constrangimentos no final de semana. Pelo menos oito Estados-Membros tiveram problemas: Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Grécia, Itália e Países Baixos. Tal como em Lisboa, a recomendação de chegar ao aeroporto três horas antes do voo não foi suficiente. Com a demora no controlo de segurança, foram registados casos de pessoas que perderam a viagem. .PSP: recusas de entrada nas fronteiras aéreas sobem 57% no primeiro trimestre.Em Espanha, o aeroporto de Málaga foi um dos mais afetados, a par do de Barcelona. Em Itália, o aeroporto da cidade de Milão registou tempos de espera elevados, levando os passageiros a perderem os voos. “Estamos cientes de que alguns passageiros que partiram de Milão Linate enfrentaram tempos de espera maiores do que o normal no controle de passaportes e aconselhamos os clientes que embarcaram a reservarem um tempo extra para se deslocarem pelo aeroporto”, disse um porta-voz da EasyJet à BBC. Um voo da companhia aérea partiu com menos 100 passageiros, porque ainda estavam à espera do controlo de segurança. “Continuamos a instar as autoridades fronteiriças a garantir que façam uso pleno e eficaz das flexibilidades permitidas durante o período em que o Sistema Europeu de Entrada/Saída estiver em vigor, para evitar esses atrasos inaceitáveis nas fronteiras para os nossos clientes”, referiu a mesma fonte oficial da EasyJet à BBC.Na Europa, em geral, as companhias aéreas não são responsabilizadas por estes atrasos, por isso, não reembolsam passageiros pelos voos perdidos. A responsabilidade é do aeroporto, sendo que os passageiros podem fazer reclamações no livro amarelo e na Autoridade da Aviação Civil.amanda.lima@dn.pt.Portugal lança app para agilizar controlo nos aeroportos.Comissão Europeia identificou “deficiências graves” no controlo de segurança e impôs medidas a Portugal