Bombeiros anunciaram  mobilização de mais quatro ambulâncias dos bombeiros da Ajuda, Cabo Ruivo, Camarate e Cascais.
Bombeiros anunciaram mobilização de mais quatro ambulâncias dos bombeiros da Ajuda, Cabo Ruivo, Camarate e Cascais.DR

Proteção Civil abre processo ao reforço de ambulâncias. Líder da Liga dos Bombeiros lamenta falta de diálogo

Proteção Civil diz que ocorrências registadas no âmbito do reforço da Liga dos Bombeiros não podem ser acionadas devido a "ilegalidade". Liga diz que são oito ambulâncias e que INEM acionou sete.
Publicado a
Atualizado a

A Proteção Civil vai abrir um processo de averiguações à task-force de ambulâncias criada pela Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) para socorro pré-hospitalar por considerar a operação ilegal e ter sido “marginalmente criada”, revelou este domingo,11 de janeiro, aquele organismo.

Numa resposta enviada à Lusa, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) avança que vai abrir um processo de averiguações, que terá “em consideração vários fatores, nomeadamente o facto de a operação marginalmente criada estar sob o comando de um elemento do quadro de honra, o que legalmente não é permitido”.

A Proteção Civil considera que o reforço de ambulâncias criado pela LBP “parece violar os princípios e os pressupostos do sistema integrado de proteção e socorro, bem como as competências da ANEPC”, salientando que se afigura “como um sistema paralelo, sem qualquer enquadramento legal”.

A ANEPC refere que tiveram conhecimento deste reforço de ambulâncias pelas redes sociais e que não conhece o pressuposto da sua criação nem a sua organização.

Bombeiros anunciaram  mobilização de mais quatro ambulâncias dos bombeiros da Ajuda, Cabo Ruivo, Camarate e Cascais.
Bombeiros criam task-force com quatro ambulâncias adicionais este fim de semana

Na sexta-feira, a LBP anunciou a criação, para este fim de semana, de uma task-force de quatro ambulâncias dos bombeiros da Ajuda, Cabo Ruivo, Camarate e Cascais para socorro pré-hospitalar.

Segundo a Liga, estas viaturas de emergência estão sediadas na sede da LBP, para operar em regime de ambulâncias adicionais, das 08h00 às 20h00, existindo um comandante em permanência a coordenar as operações no Centro de Acompanhamento e Apoio à Situação Operacional, da LBP.

A Proteção Civil esclarece à Lusa que as ocorrências registadas no âmbito deste reforço não podem ser acionadas ou coordenadas pelo comando nacional ou pelo comando sub-regional da Grande Lisboa.

A ANEPC explica que no passado fim de semana o centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM pediu a colaboração da Proteção Civil para reforçar o dispositivo do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), o que foi feito “no imediato”, mas, depois disso, “nada mais foi solicitado”.

A Proteção Civil indica também que o SIEM é uma responsabilidade do INEM, mas em situações normais é comum que os corporações e bombeiros tenham ambulâncias disponíveis para além das que afetam ao SIEM, sendo as mesmas mobilizáveis pelos comandos sub-regionais a pedido do CODU.

“O presente dispositivo, pelo que se conhece das redes sociais, concentra na LBP ambulâncias na mesma área de intervenção (Grande Lisboa) não se percecionando a mais-valia desta medida, uma vez que os meios em causa já deveriam de ser disponibilizados em situações normais”, precisa a ANEPC, acrescentando que “esta medida aparenta ser uma deturpação do sistema, não incrementando a sua capacidade em nada".

A Proteção Civil refere ainda à Lusa que tem mantido a tutela “permanentemente informada de toda a situação”.

O reforço de ambulâncias da LBP surge após, nos últimos dias, três pessoas terem morrido por alegado atraso no socorro, por falta de ambulâncias ou por estas estarem retidas devido à utilização das suas macas nos hospitais.

Situação “não é razoável”

Em reação à tomada de posição da ANEPC, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses lamentou as declarações da Proteção Civil, que disse este domingo, 11, que vai abrir um processo de averiguações à operação.

Em declarações à Lusa, António Nunes disse que lamentava “que se façam declarações sem se sentarem à mesa e conversar" com a Liga, para “saber o que se passa”, acrescentando que “se no final disso houver dúvidas e tiver havido alguma situação que mereça ser esclarecida ou averiguada num processo formal, faça-se", que "não tem problema nenhum”.

Considerando que a situação “não é razoável”, o presidente da LBP disse que “parece que se quer dizer que um movimento de comandantes - que o fazem todos os dias, mas que resolveram juntar-se para salvar vidas -, agora esteja a ser marginal”.

“São palavras que não ficam bem, parece-me, num sistema que procura salvar vidas. Aquilo que nós temos de ter em consciência é que a semana passada foi dramática”, destacou.

António Nunes realçou que se fosse ilegal “então também não se abririam as portas à comunicação social". "A comunicação social ainda ontem esteve na sede da Liga. Então, é ilegal, é marginal e está a porta aberta? Não me parece que sejam palavras razoáveis”, disse.

Segundo o presidente, a Liga “não organizou nada, não nomeou comandante nenhum" e que "isso tudo não passa de ilusões”.

António Nunes explicou que o movimento para a criação da task-force partiu de um “conjunto de comandantes preocupados, bombeiros voluntários preocupados, que na sexta-feira perguntaram se não se deveria constituir um conjunto de ambulâncias” durante o fim de semana, tendo em conta a situação atual.

A LBP, explicou, abriu as suas portas à operação, que já conta com oito ambulâncias, face às quatro inicialmente previstas, funcionando como espaço para estas ambulâncias.

“A operação é tão ilegal, tão ilegal, como todos os dias. A única alteração que houve em relação ao dia a dia é que estas ambulâncias, que estão nos vários corpos de bombeiros, neste sábado e domingo, das oito da manhã às oito da noite, juntaram-se num local. É a única alteração”, disse.

“Mas mais, se fosse tão ilegal, o INEM ontem [sábado] não tinha acionado sete vezes sete ambulâncias”, destacou.

Bombeiros anunciaram  mobilização de mais quatro ambulâncias dos bombeiros da Ajuda, Cabo Ruivo, Camarate e Cascais.
Presidente do INEM garante transparência e averiguação a eventuais falhas de socorro
Bombeiros anunciaram  mobilização de mais quatro ambulâncias dos bombeiros da Ajuda, Cabo Ruivo, Camarate e Cascais.
Atraso no socorro termina em morte no Seixal. "Não havia ambulâncias disponíveis", diz presidente do INEM

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt