A primeira associação de utilizadores de medicamentos genéricos, a Associação de Utentes de Medicamentos Genéricos em Portugal (UMG), foi lançada esta segunda-feira (6 de julho).Em comunicado, a nova UMG refere que os medicamentos genéricos estão sujeitos "a critérios de qualidade, segurança e eficácia idênticos aos de marca", pelo que não existe "diferença clínica" que justifique a diferença de preços, "mas sim estratégias comerciais, judiciais e hábitos enraizados que persistem no circuito da prescrição médica e da dispensa em farmácia".A associação aponta que Portugal está abaixo da média da OCDE (56%) em termos da percentagem de mercado dos medicamentos genéricos, correspondendo a apenas 52% do mercado no nosso país. Comparando com outros países europeus, como os Países Baixos (79%) e a Alemanha (78%), a diferença é ainda maior."Quando existe um medicamento genérico, existe equivalência terapêutica comprovada. O resto, é construção de mercado, é influência, e hábito alimentado por décadas de pressão comercial sobre prescritores e perceções públicas", escreveu a associação, denunciando uma "desinformação que penaliza diretamente os mais frágeis, os idosos, os doentes crónicos, os desempregados e as famílias em situação de pobreza envergonhada"."Portugal construiu um Serviço Nacional de Saúde para garantir igualdade no acesso à saúde e não pode ver essa igualdade corroída por práticas que penalizam os mais frágeis", continua a associação, defendendo "a generalização efetiva da prescrição por Denominação Comum Internacional",ou seja, pelo nome da substância e não pelo nome da marca e que essa informação seja prestada de forma "clara e transparente ao utente".O médico e presidente da Mesa da Assembleia da UMG, António Oliveira de Andrade, afirmou em comunicado que a associação defende estar na hora de colocar os interesses dos doentes e dos utentes, sobretudo os mais desfavorecidos, no centro das políticas do medicamento em Portugal".Em declarações ao Diário de Notícias, o médico explica que sempre defendeu, desde a sua formação há mais de 50 anos, que se receitem genéricos - uma minoria na altura.Dessa experiência, Oliveira de Andrade conta que retirou da sua experiência o conhecimento da "realidade de milhares de portugueses que vivem com doenças crónicas e fazem um enorme esforço para adquirir os medicamentos de que necessitam", podendo as poupanças com genéricos chegar aos milhares de euros."Recentemente, depois de muitas conversas com outros profissionais de saúde, com pequenos farmacêuticos e outros utentes, chegámos à conclusão que era a altura de fazer uma associação de defesa do consumidor só dedicada a este tema", acrescentou o médico, sublinhando que a sensibilização é importante para mostrar que podem poupar muito mais com medicamentos "com a mesma idoneidade científica"."As pessoas não estão informadas e por isso é que é uma das razões que esta associação tem interesse. Não estão informadas que é absolutamente a mesma realidade científica, tanto o genérico como o de marca. E é muito mais barato", sublinhou o médico..Um terço dos medicamentos aprovados não chega ao mercado em Portugal.Despesa do SNS com medicamentos bateu recorde com 4,4 mil milhões em 2025 .FMI: Portugal tem de travar despesa com saúde e medicamentos para "proteger investimento público"