Preso ginecologista italiano acusado de roubar óvulos

O especialista a quem chamam o "parteiro das avós" volta a ser notícia. Está detido em casa e não pode exercer

Sempre polémico, o ginecologista italiano e especialista em fertilidade Severino Antinori, de 70 anos, volta a ser notícia e desta vez não é por ter clonado bebés, ou por ter conseguido que uma mulher idosa desse à luz, mas porque foi detido ontem em Roma.

O médico foi acusado de ter retirado óvulos a uma colaboradora espanhola sem o seu consentimento e está agora em prisão domiciliária na sua casa, na capital italiana.

A jovem espanhola, de 24 anos, cuja identidade não foi revelada e que, segundo a BBC News, trabalhou na clínica de Milão de Severino Antinori, acusa o ginecologista de lhe ter retirado o telemóvel, de a ter anestesiado contra a sua vontade e de em seguida lhe ter retirado óvulos sem o seu consentimento.

O médico foi detido ontem pela polícia no aeroporto de Fiumicino, em Roma, e está agora em em prisão domiciliária e provisoriamente impedido de exercer durante um ano, enquanto decorrem as averiguações.

Os procuradores italianos que estão a investigar a acusação suspeitam de que o médico, depois de ter contratado a jovem, que é enfermeira, lhe diagnosticou um suposto quisto no ovário para realizar uma cirurgia em que terá, alegadamente, removido os óvulos.

Os advogados do ginecologista italiano contestam a acusação, classificando-a de absurda, e garantem que o seu cliente está a ser vítima de tentativa de extorsão. Alegam ainda que a jovem, depois de uma consulta com um psicólogo, deu o seu consentimento para a doação dos óvulos e que assinou documentos nesse sentido.

Mas as coisas não estarão fáceis para o polémico ginecologista, que ganhou a alcunha de "parteiro das avós". Por um lado, a polícia está também a investigar a hipótese de ter havido outros episódios deste tipo no seu passado. Por outro, nos círculos do poder, já começaram os discursos de afastamento em relação à figura do médico. É o caso da advogada Donata Lenzi, do Partido Democrático, liderado pelo primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, que classificou ontem este episódio de muito sério. "A detenção de Severino Antinori é extremamente séria, porque indica que existe um mercado de óvulos que não se deterá face a nada", afirmou a advogada, citada nas agências noticiosas.

Clonagem humana e mães idosas

A prática clínica e as ideias defendidas publicamente por Severino Antinori, que saltou para as primeiras páginas dos jornais em 1994 por ter ajudado com tratamentos de fertilidade a italiana Rossana Della Corte a ter um bebé quando já tinha 63 anos, nunca foram muito consensuais.

Depois de Rossana, o primeiro caso conhecido de uma mulher ter engravidado e dado à luz já depois da menopausa, Severino Antinori fez tratamentos de fertilidade com sucesso noutras mulheres idosas, incluindo de outros países, como a britânica Patricia Rashbrook, de 62 anos, que teve um rapaz e se tornou assim a mulher mais velha do Reino Unido a ter um filho. Antinori defendeu várias vezes a clonagem humana para ajudar casais inférteis, causando indignação generalizada, e afirmou tê-la praticado para fazer nascer três bebés, mas a sua pretensão nunca foi confirmada.

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