Portugal precisa de investir mais nas renováveis

Associação ambientalista Zero defende aposta maior na Europa e no país para o cumprimento de metas

Portugal precisa de fazer mais depressa a transição energética para 100% de renováveis, defende a associação ambientalista Zero, alertando para que ao ritmo atual o país não vai conseguir cumprir sequer a meta estabelecida no âmbito da União Europeia, de chegar aos 31% na utilização de energias renováveis, em 2020.

A análise da associação ambientalista presidida por Francisco Ferreira surge na sequência dos dados divulgados pelo Eurostat na semana passada, que mostram que "Portugal passou de 19,2% (em 2004) para 27,0% (em 2014)" na utilização de energias renováveis, "uma evolução que, em média, representou um aumento de 0,7% ao ano, e que fica aquém do desejável", sublinha a Zero-Associação Sistemas Terrestre Sustentável.

É no setor da produção elétrica que Portugal tem o seu melhor desempenho nas renováveis: passou de 27,5% em 2004 para 52,1% em 2014. Já nos transportes, esta evolução traduziu-se apenas num aumento de 0,2 para 3,4% em igual período - sobretudo pelo recurso a biocombustíveis nos transportes rodoviários -, enquanto na área de aquecimento e arrefecimento "a variação foi pouco significativa, de 32,5% para 34%, no mesmo intervalo de tempo", explica a associação ambientalista.

O principal problema de Portugal quanto ao cumprimento da sua meta para 2020 no âmbito da UE está sobretudo nos transportes, por "continuar a não haver uma política suficientemente forte na promoção das energias renováveis neste setor", diz a Zero, que defende, por isso, "um forte incremento em metas ambiciosas de longo prazo nas políticas e investimentos em energias renováveis" no país.

A associação critica ainda a diretiva europeia sobre energias renováveis que, apesar de propor uma meta global de 27% de energias renováveis a 28, para 2030, não estabelece metas nacionais com carácter obrigatório, o que "é uma má opção", uma vez que o passado mostra que sem obrigatoriedade as políticas são mais lentas.

A futura diretiva, além de consagrar metas nacionais obrigatórias para as renováveis, deve igualmente, segundo a Zero, ser mais ambiciosa na promoção da eficiência energética e passar de uma meta não vinculativa de 27% no conjunto dos 28 para os 40%, e com carácter obrigatório, em 2030.

A transição energética dos combustíveis fósseis para as energias limpas, ou renováveis, como as eólicas, as solares, a biomassa ou os biocombustíveis, entre outras, é o pilar essencial no combate às alterações climáticas, ao reduzir drasticamente as emissões de gases de com efeito de estufa.

Na cimeira do clima de Paris, em dezembro, os 196 países presentes acordaram no fim da utilização dos combustíveis fósseis na segunda metade do século XXI.

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