O Instituto nacional de Estatísticas (INE) publicou, na manhã desta sexta-feira, dia 24, uma série de estatísticas sobre a classe médica e outros profissionais da área da Saúde comparando-as nalgumas áreas com os restantes Estados-Membros da União Europeia. Os dados são de 2024, segundo o INE por ser a informação mais atualizada e correspondem às estatísticas das ordens profissionais, e revelam que neste mesmo ano havia 46 131 médicos em exercício, excluindo os estomatologistas e os cirurgiões maxilofaciais, sendo que deste total um terço tinha menos de 35 anos (32,9%) e 7,3% tinham 65 ou mais anos.Um dado interessante tem a ver com o facto de 65% do total de médicos em exercício ser do sexo feminino. Segundo o INE, as mulheres com menos de 45 anos representavam 44,6% do total de profissionais em exercício, “embora o número de profissionais do sexo feminino seja superior ao efetivo masculino em todos os grupos etários com exceção do último (70 e mais anos), a proporção de mulheres diminui à medida que o grupo etário aumenta”, refere o relatório.Relativamente a outros Estados-membro da UE, Portugal é o terceiro país com maior número de médicos especialistas (86,8%) do total em exercício. À nossa frente só está Grécia (92,1%), em primeiro lugar, e a Bulgária, segundo com (87,1%). A média da UE era de 73,7%, com a Irlanda a registar a proporção mais baixa de médicos a exercer uma especialidade (48,1%). Em termos de especialidades, os dados demonstram que as especialidades médicas representam mais de 60% das escolhas dos médicos, mas há outras que também estão bem representadas em Portugal como a pediatria, que era exercida por 9,0% dos médicos a exercer uma especialidade, a psiquiatria e a ginecologia-obstetrícia.Mas, analisando estes dados com os registados na década dos de 1990, o INE refere que, entre 1991 e 2025, o número de médicos inscritos na Ordem dos Médicos, em exercício ou não, mais do que duplicou (em 1991, eram 28 326), refletindo uma taxa média de crescimento anual de 2,5%. Neste período, a relação de masculinidade diminuiu de forma sustentada: em 1991, estavam inscritos 148,8 profissionais do sexo masculino por 100 mulheres; em 2025, a relação era de 69,7 homens por 100 mulheres.Profissionais na saúdeSobre outras profissões, o INE indica ainda que em Portugal, também em 2024, estavam inscritos na Ordem dos Médicos Dentistas 12 796 profissionais ativos, o triplo do registado em 2002 (4 134), sendo o rácio de médicos dentistas residentes por 1.000 habitantes de 1,12 em 2025, observando-se os rácios mais elevados na Área Metropolitana do Porto (1,72) e em Viseu Dão Lafões (1,57). Na Ordem dos Enfermeiros havia 87 843 membros profissionalmente ativos, mais do dobro do que em 2002 (41 799); o rácio de enfermeiros profissionalmente ativos por 1 000 habitantes era de 7,7, atingindo 14,4 na Região de Coimbra. Quanto aos farmacêuticos, estavam inscritos na Ordem 17 301 membros profissionalmente ativos, o que representa mais do dobro do registo de 2002 (7 962) e um rácio de farmacêuticos profissionalmente ativos por 1 000 habitantes de 1,5, tendo-se observado os máximos regionais na Região de Coimbra e na Grande Lisboa (2,4 e 2,1, respetivamente). A Ordem dos Psicólogos Portugueses registava 27 838 membros efetivos ou estagiários, dos quais 76,6% eram mulheres com menos de 55 anos e 27,3% detinham pelo menos um título de especialidade. A Psicologia Clínica e da Saúde era a especialidade base mais representada (65,6% dos títulos de especialidade atribuídos)..Quase 64 mil. Médicos residentes em Portugal mais do que duplicaram desde 1991.SNS. Médicos e enfermeiros menos satisfeitos trabalham em hospitais de LVT e Algarve e têm duplo emprego