Em Portugal, 74% das despesas correntes de todas as instituições de ensino superior destinaram-se ao corpo docente em 2023
Em Portugal, 74% das despesas correntes de todas as instituições de ensino superior destinaram-se ao corpo docente em 2023Foto: Artur Machado/GIobal Imagens.

Portugal gasta menos por aluno no superior do que em qualquer outro nível de ensino

O ensino superior é o nível de escolaridade com maior financiamento público por aluno na maioria dos países da OCDE - exceto em Portugal - o que pode comprometer a capacidade de competir em inovação, investigação e qualificação avançada.
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“Em média, a despesa pública por estudante é mais elevada nos níveis de licenciatura e superiores”, refere o relatório “Education at a Glance 2026”, divulgado hoje pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

É assim na maioria dos estados-membros da OCDE, mas não em Portugal, que se destaca como uma das exceções em que o Estado paga menos por aluno no superior do que em qualquer outro nível de ensino.

Do 1.º ciclo à universidade, a despesa do Estado português por estudante rondava os 10.206 euros anuais em 2023, ligeiramente abaixo da média da OCDE, que se situava nos 11.962 euros.

Até ao ensino secundário, Portugal acompanha a tendência internacional, incrementando o financiamento a cada nível de escolaridade.

Se no 1.º e no 2.º ciclos um aluno custava em 2023 cerca de 9.600 euros por ano, a despesa pública aumentava para os 12.653 euros no 3.º ciclo e para os 13.222 euros no ensino secundário, aproximando-se da média da OCDE sobretudo nos últimos dois níveis da escolaridade obrigatória.

O cenário inverte-se quando os jovens chegam ao ensino superior, e o Education at a Glance 2026 mostra Portugal entre os 10 países com menor despesa pública por aluno: 8.239 euros anuais, muito abaixo da média da OCDE, que rondava 14.428 euros.

O financiamento público português corresponde, no entanto, a apenas 55% do total da despesa por estudante, com as instituições a dependerem igualmente de outras fontes de financiamento, em particular, os fundos europeus, destacados pelos autores.

O relatório revela, por outro lado, contextos muito díspares entre os estados-membros e parceiros.

Se em países como o Luxemburgo, Dinamarca, Noruega ou Suécia, o financiamento privado representa menos de um quinto do total da despesa por estudante, noutros, como o Reino Unido ou Austrália, a despesa pública não ultrapassa os 30%.

“As diferenças nas estruturas de financiamento estão estreitamente associadas às políticas de propinas e de apoio aos estudantes”, refere o relatório, sublinhando a variedade de escolhas políticas para “equilibrar sustentabilidade financeira, acesso e equidade nos sistemas de ensino superior”.

No capítulo dedicado ao financiamento da educação, o Education at a Glance 2026 olha ainda para a forma como despesa é alocada, e também neste indicador Portugal surge destacado como o segundo de 23 país com maiores custos com pessoal docente.  

“Em Portugal, 74% das despesas correntes de todas as instituições de ensino superior destinaram-se ao corpo docente em 2023”, lê-se no relatório, que coloca apenas a Irlanda à frente, com 85%.

Em contraste, na maioria dos países com dados disponíveis, essa fatia foi inferior a 40%.

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