São os primeiros dias do ano com máximas seguidas de 30 graus, temperatura que eleva a preocupação face à possibilidade de surgirem incêndios rurais. Desde janeiro já arderam mais de dez mil hectares, de acordo com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICFN). Neste mesmo período do de 2025, a área ardida era de 4230, ou seja, metade do já registado até 26 de maio, segundo os dados do mesmo instituto. Também as ocorrências detetadas são muito mais este ano: 1284 no ano passado de janeiro a maio e 2680 este ano até 26 de maio.Um pouco por todo o país estão a ser tomadas medidas de prevenção perante o cenário de altas temperaturas em pleno mês de maio. De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) - que deverá emitir novos avisos esta quarta-feira, 26 de maio, após a análise dos dados mais recentes, segundo soube o DN -, na região do Algarve oito concelhos estão em risco “máximo” de incêndio. O DN sabe que as autoridades de Proteção Civil já estão com ações de prevenção no terreno. Em Loulé, por exemplo, está proibido realizar queimas e queimadas, utilizar fogareiros e grelhadores em espaços rurais, exceto em locais autorizados e igualmente proibido fumar ou fazer qualquer tipo de lume em espaços florestais. As máquinas agrícolas e florestais só podem ser utilizadas entre o pôr do sol e as 11h00 da manhã. “Um pequeno descuido, um grande desastre, previna incêndios”, publicou a Proteção Civil de Loulé.Vários concelhos na zona de Beja estão em risco “muito elevado”. O mesmo ocorre na região de Castelo Branco. Na zona de Leiria, o risco é mais baixo, classificado como “elevado”. No entanto, há uma preocupação acrescida diante dos muitos galhos e troncos que ainda estão no terreno. Em entrevista ao DN, Luís Lopes vereador na Câmara Municipal de Leiria, com o pelouro da Proteção Civil, explicou que desde “há dois meses os trabalhos no terreno estão a ser reforçados, na sequência do comboio de tempestades. Temos várias equipas posicionadas no concelho que estão a trabalhar maioritariamente com a motosserra e maquinaria para desobstruir avios, mas que em simultâneo conseguem nos garantir aqui uma intervenção caso ela seja necessária”, explica, em referência a algum foco de incêndio que ocorra nos próximos dias. “É importante que todos percebam que a preocupação é constante até que se recupere alguma normalidade neste concelho e nos outros dois recentes, mas aqui não é assim. Esta preocupação não existe agora porque está mais calor. Esta preocupação existe há várias semanas”, assinala.Ao mesmo tempo, os dez municípios da Região de Leiria vão recusar autorização para queimas e queimadas a partir de segunda-feira e até 30 de setembro. Revelou igualmente ao DN, que, além das equipas do Serviço Municipal de Proteção Civil, estão no terreno 21 elementos da Força Especial de Proteção Civil e temos 24 elementos dos bombeiros sapadores.De acordo com Luís Lopes, a previsão é de que na próxima semana sejam concluídos os trabalhos de desobstrução das estradas principais. “Nós durante a próxima semana devemos conseguir concluir a desobstrução dos caminhos principais. Relativamente a toda a área florestal que é necessário intervir. Isso é mais difícil do que estamos a falar de mais de dez mil hectares que têm madeira caída no chão”, destacaPara isto, não há uma previsão. “Isto vai ser um trabalho para os próximos meses e anos, porque nunca aconteceu nada parecido”, complementa o vereador. A decisão ocorreu em reunião do conselho intermunicipal, realizada em Porto de Mos. De acordo com ICNF, “é proibido fazer queimas entre 1 de junho e 31 de outubro sem autorização prévia da respetiva câmara municipal”. Nesta zona de Leiria, já está definido que nenhum pedido será aceite.Lisboa aumenta grau de prontidão de polícia municipal e bombeirosAs altas temperaturas também levaram a Câmara Municipal de Lisboa a tomar medidas. Num alerta à população, o serviço municipal de proteção civil chama a atenção para o tempo quente. Nesse comunicado divulgado na rede social Facebook, é frisado que estarão criadas condições para a existência de um fenómeno, na próxima noite e madrugada, conhecido como “noite tropical”, prevendo-se a possibilidade de existir um risco de temperaturas mínimas elevadas. Perante este cenário, é indicado à polícia municipal, ao regimento de sapadores bombeiros e às corporações de bombeiros voluntários que aumentem o grau de prontidão e de resposta operacional, “com reforço de prevenção e meios para operações de vigilância, fiscalização e patrulhamento”. Está também em prática um plano de apoio à população vulnerável (sem-abrigo, idosos, famílias apoiadas pela CML). Existindo um “reforço da monitorização e de vigilância da população vulnerável”. Ou seja, na distribuição de refeições aos sem-abrigo a autarquia não distribui comida que se possa estragar com o calor.amanda.lima@dn.pt.Onda de calor em Portugal continental com as temperaturas a chegarem perto dos 40 graus.António Lopes: "Os edifícios em Portugal não estão a ser desenhados para suportar extremos térmicos"