Portugal continental registou recorde de nove ondas de calor em 2026
Gerardo Santos

Portugal continental registou recorde de nove ondas de calor em 2026

Segundo o IPMA, este é já o ano com o maior número de dias em onda de calor em Portugal continental, com 98 dias até à data.
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Portugal continental registou, em 2026, um novo recorde de nove ondas de calor, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). O balanço, ainda provisório, indica que os episódios se distinguiram pela duração, magnitude e abrangência territorial.

A onda de calor do final de junho e início de julho destacou-se das demais do período analisado pleo IPMA, que vai de fevereiro a outubro deste ano. Além disso, segundo o organismo, este é já o ano com o maior número de dias em onda de calor em Portugal continental, com 98 dias até à data, superando os anteriores máximos de 97 dias, registado em 2009, e de 91, registados em 2017.

O IPMA enumera as nove ondas de calor, indicando que a primeira aconteceu entre 21 a 26 de fevereiro em quatro localidades dos distritos de Bragança e da Guarda. A segunda iniciou-se no dia 30 de março e prolongou-se até 6 de abril, afetando cerca de 20% das estações meteorológicas. O IPMA nota que entre os dias 22 e 28 de março ocorreu uma onda de calor muito localizada na região do Grande Porto, mas que foi avaliada como fazendo parte desta segunda onda de calor de 2026.

Em abril registou-se a terceira onda de calor, entre os dias 15 e 28, a qual abrangeu 40% das estações meteorológicas, no interior Norte e Centro, vale do Tejo e interior do Alentejo. Destacaram-se Miranda do Douro e Pinhão, com durações de 13 e 12 dias, respetivamente. Entre 20 de maio e 1 de junho deu-se a quarta onda de calor, que se iniciou no Alentejo e vale do Tejo, estendendo-se, a partir de dia 24, ao interior Norte e Centro. "Com uma duração média de 9.5 dias nas estações afetadas, este episódio classificou-se como o segundo mais longo neste indicador", diz o IPMA.

De 9 a 24 de junho contabilizou-se a quinta onda de calor, a qual foi registada em 14 estações meteorológicas, abrangendo o interior Norte e Centro e regiões a sul do Tejo. "A duração máxima atingiu 13 dias nas estações de Bragança, Miranda do Douro e Mogadouro", esclarece o instituto. Ainda antes do final de junho, no dia 29, inicioi-se a sexta onda de calor, que se prolongou até 11 de julho. "Abrangeu grande parte do território continental e constituiu um dos episódios mais relevantes desde 1981, apresentando a maior magnitude e a segunda maior extensão espacial", diz o IPMA.

Setembro trouxe duas ondas de calor, a sétima e a oitava: uma entre os dias 2 e 7, que ficou localizada na região interior Norte; e outra entre os dias 18 e 27, que abrangeu grande parte do território continental, afetando 72% das estações meteorológicas do IPMA, com durações entre seis e dez dias.

Finalmente, ainda num balanço preliminar, a nona onda de calor teve inicio a 10 de outubro e terá durado até dia 16, sexta-feira passada, na região nordeste do país.

O IPMA salienta que embora sejam mais intensas e preocupantes durante o verão, as ondas de calor podem ocorrer em qualquer época do ano.

"A sua identificação depende da persistência de temperaturas máximas muito superiores aos valores médios de referência", explica o instituto, dizendo que o critério seguido considera, pelo menos, seis dias consecutivos em que temperatura máxima diária é superior a 5 °C ao valor médio das temperaturas máximas diárias para um determinado período de referência (atualmente 1991-2020). "Assim, uma onda de calor em fevereiro ou outubro traduz normalmente temperaturas muito elevadas para a época do ano", constata.

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