Portugal com nível de transmissibilidade elevado mas de tendência estável

Segundo o relatório das linhas vermelhas, prevê-se uma pressão sobre os cuidados de saúde de "tendência decrescente"

A incidência cumulativa de casos de covid-19 nos últimos 14 dias em Portugal foi de 312 casos por 100 mil habitantes, que representa um nível elevado de transmissibilidade, mas de tendência estável, segundo o relatório das linhas vermelhas.

Na semana de 13 a 19 de agosto, a incidência a 14 dias fixou-se nos 312 casos, sendo que a região do Algarve se mantém acima do limiar dos 480 casos por 100 mil habitantes, com uma incidência cumulativa de 748 casos, uma variação percentual de 4% face à semana anterior, de acordo com o relatório de monitorização das linhas vermelhas do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o relatório, Portugal registou uma atividade epidémica "de elevada intensidade, com tendência estável a nível nacional", prevendo-se uma pressão sobre os cuidados de saúde de "tendência decrescente" e uma taxa de mortalidade por covid-19 a manter-se "provavelmente elevada, mas com tendência constante".

A variante Delta continua a representar a quase totalidade das infeções (99,5%).

"A 18 de agosto de 2021, a mortalidade específica por covid-19 registou um valor de 18,1 óbitos em 14 dias por 1.000.000 habitantes, que corresponde a um decréscimo de 3% relativamente à semana anterior (18,6 por 1.000.000). Este valor é superior ao limiar de 10,0 óbitos em 14 dias por 1.000.000 habitantes, definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC)", refere o relatório.

Ainda sobre a mortalidade, o documento aponta que "este indicador apresenta uma tendência estável e é provável que assim se mantenha ou comece a diminuir se a incidência na população se mantiver estável a decrescente".

Ao nível dos indicadores de transmissibilidade, o R(t) mantém-se abaixo de 1 a nível nacional, com um valor de 0,98.

"Observou-se um valor de Rt superior a 1 nas regiões Centro (1,01), Alentejo (1,03) e Algarve (1,04) indicando uma tendência constante a crescente da incidência de infeção por SARS-CoV-2/ COVID-19. Se estas taxas de crescimento se mantiverem, o limiar da taxa de incidência a 14 dias de 960 casos por 100.000 habitantes poderá ser atingido em duas semanas a um mês na região Algarve e o limiar 480 casos por 100.000 em um a dois meses na região Alentejo", alerta o relatório.

Segundo o documento, o valor médio do R(t) subiu em todas as regiões do país na última semana, o que sugere "uma desaceleração da tendência decrescente da incidência, e o possível início de uma fase de crescimento da incidência nas regiões Alentejo e Algarve".

Quanto à incidência cumulativa por faixas etárias, o grupo entre os 20 e os 29 anos registou os valores mais elevados, com 776 casos por 100 mil habitantes, apresentando "uma possível tendência crescente".

"O grupo etário dos indivíduos com 80 ou mais anos apresentou uma incidência cumulativa a 14 dias de 135 casos por 100 mil habitantes, que reflete um risco de infeção inferior ao risco para a população em geral, com tendência decrescente", lê-se no documento, que mostra também que as faixas etárias imediatamente anteriores, dos 70 aos 79 anos, e dos 60 aos 69 anos também têm o nível de incidência a 14 dias em queda.

Ainda sobre a evolução da epidemia junto dos mais velhos, o relatório refere que "o grupo etário com 65 ou mais anos apresenta uma taxa de incidência cumulativa a 14 dias de 115 casos por 100 mil habitantes, valor inferior ao limiar definido de 240 casos por 100 mil" e que "a variação deste indicador apresenta uma tendência estável a decrescente".

Na última semana registaram-se 141 doentes internados em unidades de cuidados intensivos (UCI), o que corresponde a 55% do limiar crítico para os serviços de saúde, de 255 camas ocupadas, representando também uma redução face à semana anterior.

"Nas últimas semanas, este indicador tem vindo a assumir uma tendência decrescente (-17% em relação à semana anterior)", refere o documento, que detalha que o grupo etário mais representado nos internamentos em UCI foi o dos 60 aos 79 anos.

Os dados indicam ainda que na última semana que a proporção de casos positivos detetados face ao número de testes realizados foi de 4%, tendo sido registado um aumento no número de testes realizados.

Na última semana, 88% dos casos de covid-19 foram isolados em menos de 24 horas após a notificação e rastreados e isolados todos os contactos em 72% dos casos.

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