"As pessoas estão cada vez mais interessadas em apoiar, por conhecer melhor o trabalho", diz Soraya Ventura.
"As pessoas estão cada vez mais interessadas em apoiar, por conhecer melhor o trabalho", diz Soraya Ventura.Foto: Amanda Lima

Portugal com ACNUR passa de 1500 para mais de 26.000 doadores em dois anos

Entidade celebrou o Dia Mundial da Paz com uma conferência, em que foram refugiados participaram com seus testemunhos.
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A meta de aumentar o número de pessoas que contribuem para a causa dos refugiados foi mais do que alcançada pela Portugal com ACNUR. Em pouco mais de dois anos, os 1500 doadores passaram para mais de 26.000.

"Desde 2024, quando eu assumi, nós éramos 1500 doadores no início de janeiro de 2024. E hoje eu posso dizer com muita alegria que somos mais de 26 mil doadores. Isso é um trabalho muito duro e árduo de uma equipa pequena, mas muito motivada", diz ao DN a diretora nacional Soraya Ventura.

No total, trabalham 12 pessoas. A responsável atribui o aumento ao facto de serem realizadas ações no terreno, à procura ativa de novos doadores e a campanhas de marketing, mas o essencial é ter pessoas "muito preparadas, fortes, capazes e motivadas".

A diretora falava ao jornal na 1.ª Conferência Portugal com ACNUR, realizada esta tarde, 23 de setembro, em Lisboa. O tema foi "Da proteção ao recomeço: antes dos números, existem pessoas".

Segundo Soraya Ventura, a missão da ACNUR é exatamente esta: dar a conhecer histórias de refugiados para que mais pessoas façam doações. Os donativos são utilizados na causa em todo o mundo, através da agência da ONU.

De acordo com a imigrante — a diretora é brasileira —, as pessoas estão "cada vez mais interessadas" em apoiar, por conhecerem melhor o trabalho. "Fazemos o trabalho de tentar passar, contar as histórias, trazer para as pessoas aquilo que elas não necessariamente vivem, ou não sabem a diferença entre um refugiado e um imigrante", destaca.

Soraya Ventura vê um paradoxo: mesmo com o aumento do discurso contra pessoas estrangeiras, há mais apoio. "Eu sei que a gente ouve muito esse paradoxo de que as pessoas estão contra esse discurso, de que não querem ouvir, não querem saber. Mas nós temos a grande sorte de encontrar com pessoas muito abertas e que querem não só escutar, como também querem participar e ajudar", explica.

Em relação ao perfil dos doadores, conta que em Portugal é "bastante diverso", de todas as idades e nacionalidades, com predominância de mulheres na faixa dos 30 aos 60 anos. Há também um aumento do interesse por parte dos jovens, revela a responsável pela Portugal com ACNUR.

Há ainda empresas apoiantes da causa. Afonso Machado Arnaldo, diretor de Responsabilidade Corporativa e Sustentabilidade da Deloitte, afirma ao DN que "não gosta de fazer publicidade" desta iniciativa. Ao mesmo tempo, reconhece que pode "inspirar outras empresas a fazer o mesmo".

A conferência teve o testemunho de refugiados que vivem em Portugal, como Fayaz Khedri, que veio do Afeganistão. Ao DN, destaca que o caminho "não foi fácil, mas que não teve escolha". Está no país desde abril de 2022, já fala português, trabalha como técnico de som e leva uma vida independente.

Fayaz Khedri considera que iniciativas como a conferência são importantes para que seja conhecido o trabalho da ACNUR. Por exemplo, as doações ajudam refugiados que vivem em campos, como o próprio já viveu, em Lesbos, na Grécia. "São pessoas que precisam de muita ajuda", resume. Como sonho, Fayaz quer trazer para Portugal o irmão, que ainda está no Afeganistão. "Um dia vou conseguir", finaliza.

amanda.lima@dn.pt

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