A Polícia Municipal do Porto detetou “infrações graves e muito graves” ao Regulamento do Mercado do Bolhão, nomeadamente o exercício não autorizado da atividade de restauração, durante ações de fiscalização realizadas ao mercado do Bolhão, no Porto.A informação consta de um ofício enviado à Associação do Comércio Tradicional “Bolha de Água” em 22 de maio de 2026, ao qual o DN teve acesso. O documento responde a um pedido de intervenção remetido pela associação em 10 de abril e registado pela Câmara Municipal do Porto com o número NUP/34231/2026/CMP.“Na sequência das sucessivas denúncias apresentadas”, refere o ofício, a Polícia Municipal deslocou-se ao Mercado do Bolhão e realizou ações de fiscalização às bancas visadas. Nessas diligências, segundo o documento, “foram detetadas infrações graves e muito graves ao Regulamento do Mercado do Bolhão”, bem como “o exercício não autorizado da atividade de restauração”.As ocorrências levaram à “instrução do competente expediente contraordenacional”, que, de acordo com a Polícia Municipal, seguiu os trâmites legais. O ofício não identifica as bancas fiscalizadas, o número de operadores visados, as práticas concretamente detetadas ou a fase em que se encontram os processos.A Polícia Municipal informa ainda que, devido à natureza das infrações registadas, dará conhecimento das diligências à direção do Mercado do Bolhão, que funciona no âmbito da empresa municipal Go Porto, e à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, “para os devidos efeitos”.No documento, a força municipal compromete-se a continuar a acompanhar a situação “no sentido de pôr termo às irregularidades denunciadas”. .Associação de comerciantes leva a hasta pública do Bolhão a tribunal.GO Porto diz que irregularidades já foram resolvidas, mas não esclarece medidas aplicadasQuestionada pelo DN sobre as medidas adotadas, a GO Porto afirmou que a Polícia Municipal se deslocou ao mercado em 10 de abril e que as ocorrências detetadas “já foram resolvidas na banca em causa”. Acrescentou que “as situações elencadas foram transmitidas a todas as bancas desta categoria”, sem identificar a banca ou esclarecer que categoria estava em causa.A resposta da empresa municipal não especifica que medidas foram aplicadas, nem esclarece se houve notificações, ordens de cessação, suspensões ou sanções. Também não explica como surgiu a atividade de restauração não autorizada nem se o resultado da fiscalização foi considerado na elaboração do regulamento da hasta pública publicada em junho.