Polícia pede às vítimas dos 'skinheads' que denunciem agressões

Grupo de extrema-direita detido pela PJ possuía vasto arsenal de armas e material de propaganda neonazi

Armas de fogo, munições, facas, catanas, soqueiras, very lights, gás-pimenta, bastões e tacos de basebol estão entre os objetos apreendidos aos 21 skinheads, que pertencem à fação mais perigosa do movimento internacional de extrema-direita Hammer Skin Nation, detidos na terça-feira no âmbito da mega- operação da Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da PJ.

Durante a exibição do material apreendido, sede da Polícia Judiciária, em Lisboa, o diretor da UNCT, Luís Neves, explicou que esta operação não visou investigar ideologias, mas crimes de ódio, discriminação racial e violência praticados sobre 20 vítimas. Algumas das vítimas ficaram com sequelas, com stress pós-traumático e pelo menos uma delas com problemas neurológicos devido às agressões sofridas. Luís Neves estima que o número de vítimas será superior, mas que estas, por medo, pavor ou receio de represálias não apresentam queixa às autoridades. Aproveitou o momento para exortar todas as vítimas deste tipo de crimes a participar as agressões às forças policiais.

Luís Neves admitiu que o grupo de hammerskins agora detido pela PJ integra elementos que foram condenados pela morte do jovem Alcino Monteiro (de origem cabo-verdiana), em 1995, no Bairro Alto, e outros que já haviam sido detidos numa operação desencadeada pela Judiciária em 2007.

"O grupo não é grande, mas integra um conjunto de novos elementos e alguns crimes foram cometidos como rito de iniciação ligado sobretudo à discriminação racial", explicou.

O diretor da unidade referiu que os detidos têm idades que variam entre os 20 e os 40 anos, havendo entre eles desempregados, pessoas ligadas à segurança privada e "um ou outro estudante". Entre os detidos está ainda um guarda prisional, tal como o DN noticiou ontem, e um outro elemento que é apontado como o atual líder do grupo.

Um dos casos que fazem parte do inquérito, que foi coordenado pela 11.ª secção do DIAP de Lisboa, foi o dos incidentes de setembro de 2015, na Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa. Um grupo de militantes comunistas foi violentamente agredido por skinheads, quando saía de um comício da CDU, no Coliseu dos Recreios. Um deles, sindicalista, perdeu a consciência, foi hospitalizado e ficou com danos cerebrais irreversíveis.

Os neonazis tinham estado numa concentração, junto à Assembleia da República, contra os refugiados, tendo depois seguido para aquela zona do centro da cidade. Insultaram primeiro e depois espancaram os militantes do PCP. Para os investigadores a conduta teve uma clara motivação "político-ideológica", o que pode levar a um agravamento das penas.

Foi este o episódio que desencadeou as investigações, com a recolha dos vários inquéritos dispersos em várias esquadras da PSP e que esta polícia já tinha referenciado como tendo um ponto em comum: todos os suspeitos identificados pertenciam aos Portuguese Hammerskins (PHS).

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