Plus size: a moda que luta contra os preconceitos

Pioneira do movimento falou com o DN sobre a promoção da diversidade

Encontrar um tamanho 44 numa loja pode ainda não ser tão fácil como algumas mulheres gostariam, mas as curvas já conquistaram o mundo da moda. Prova disso é o facto de a Colombiamoda, aquela que se apresenta como a feira mais importante do setor na América Latina, ter decidido pôr em destaque a tendência plus size, com a presença de diversas marcas e um desfile dedicado a mulheres que vestem tamanhos maiores. Com elegância, as modelos exibiram-se na passarela, dando a conhecer as últimas tendências de moda.

Os "corpos reais" brilharam nesta 28.ª edição da Colombiamoda, que termina hoje em Medellín. Uma forma de celebrar a diversidade, de quebrar estereótipos e de mostrar que a moda é para todos. "Estamos a romper um paradigma social, que diz que a mulher perfeita tem de ter 90-60-90. Queremos que as mulheres se sintam seguras com a sua roupa de banho", disse Maria Redon, da empresa Rebell, uma marca de roupa de praia para "mulheres de tamanho real". Na confeção das peças, explicou, são usados métodos especiais, como técnicas para controlar o abdómen e cortes estratégicos. "Queremos uma mulher feliz, extrovertida, que se sinta bem com as suas curvas", destacou. A Europa e os Estados Unidos são, segundo Maria Rendon, uma fonte de inspiração. "Temos de conservar o estilo sem perder a comodidade", sublinhou, destacando que o objetivo é que as mulheres se sintam "na moda e a seguir as novas tendências".

Elena Plus Clothing, uma marca colombiana com mais de 30 anos, foi a responsável pelo desfile Size Revolution, que levou à passarela mulheres que vestem tamanhos diferentes daqueles que normalmente são usados pelas manequins. "Queremos que as mulheres plus size se sintam capazes e livres através da moda e dar-lhes a oportunidade de escolher para que não tenham de ficar resignadas ao que o mercado normalmente oferece", afirmou a estilista Natalia Franco. O caminho, explicou, é seguir aquilo que as mulheres querem. Quanto às tendências, Natalia lembrou que existem "infinitas possibilidades", já que muitas destas mulheres "nunca tiveram acesso a isto". A roupa básica, por exemplo, "era difícil de encontrar". Destaque para os tecidos frescos, que as fazem sentir-se "melhores, cómodas e sexy".

Atitude e personalidade

A viver na Europa desde os 14 anos, a modelo colombiana Maria Jiménez Pacífico, pioneira no movimento plus size no seu país de origem, saudou o facto de a feira ter dado destaque ao tema e aproveitou para salientar a importância deste mercado, que era visto como um "nicho" mas que está a crescer cada vez mais. "Temos de nos celebrar como somos e promover a diversidade", afirmou. Questionada sobre o que é preciso para se ser uma modelo plus size, destacou "a atitude e a personalidade", porque o mais importante, sublinhou, "é transmitir algo".

Em Portugal, onde mais de metade da população tem excesso de peso, foi lançada recentemente uma agência que se dedica em exclusivo ao agenciamento de modelos que vestem acima do 40.

Chama-se Curvy Models, tem sede em Odivelas e quer mostrar que estas mulheres podem ser saudáveis, mesmo não tendo as medidas que habitualmente as modelos que brilham nas passarelas apresentam.

A jornalista viajou a convite da Inexmoda

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