PJ investiga qualquer suspeito, mesmo que seja um dos seus

O dirigente da ASFIC disse desconhecer se a detenção dos dois elementos da PJ passou por uma troca de informações com outras polícias estrangeiras

O presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC/PJ) disse hoje que a Polícia Judiciária investiga todas as pessoas suspeitas de terem praticado crimes, mesmo que entre elas esteja "um dos seus".

"A PJ investiga toda a gente que seja suspeita da prática de um crime, mesmo que sejam os seus", disse à agência Lusa Carlos Garcia, a propósito da detenção hoje de dois elementos da PJ, num caso em que há suspeitas de corrupção ativa e passiva, tráfico de droga agravado, associação criminosa e branqueamento de capitais.

Carlos Garcia admitiu que o caso possa causar "alguma tristeza" no seio daquela polícia, mas contrapôs que, "do ponto de vista da Polícia Judiciária", tais situações têm de ser "encaradas com naturalidade", porque a PJ investiga sempre que há suspeitas de ilícitos.

O dirigente da ASFIC disse desconhecer se a detenção dos dois elementos da PJ passou por uma troca de informações com outras polícias estrangeiras, observando que o importante é "deixar a investigação correr até ao fim e ver o resultado".

O sindicalista realçou a Unidade de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ tem obtido "excelentes resultados" apesar de "funcionar com o sacrifício acrescido dos que lá estão" e que são poucos.

Revelou que esta unidade da PJ chegou ter mais de 100 inspetores e que hoje conta com pouco mais de 60, sendo um exemplo da falta de meios humanos que atinge esta polícia de investigação criminal.

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República adiantou que, no âmbito da investigação, foram cumpridas várias diligências, "designadamente buscas nas zonas de Lisboa e Porto", tendo a PJ precisado terem sido efetuadas 120 buscas, domiciliárias e não domiciliárias, com a participação de quase duas centenas e meia de polícias.

Os 15 detidos têm idades entre 39 e 60 anos e na lista está um coordenador reformado da PJ e um inspetor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE).

A investigação está a ser dirigida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal, em colaboração com a Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) e com a UNCTE da PJ.

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