A Polícia Judiciária (PJ) deteve na terça-feira cinco homens e três mulheres suspeitos de burla qualificada de vários milhões de euros, pela venda fraudulenta de imóveis não habitados pertencentes e cidadãos estrangeiros com “Visto Gold”, foi anunciado esta quarta-feira, 18 de março.A operação Chave Dourada foi levada a cabo pela Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da PJ, na sequência de queixas apresentadas em julho de 2025, por cidadãos estrangeiros, com Autorizações de Residência por Investimento em Portugal (ARI), vulgo, “Vistos Gold”, informou a PJ em comunicado.Segundo as queixas, as casas adquiridas por aqueles cidadãos estrangeiros estavam desocupadas e foram vendidas supostamente em seu nome e sem o seu consentimento.Além de burla qualificada, existem também fortes indícios de branqueamento, associação criminosa, falsificação ou contrafação de documento, entre outros, tendo ainda sido detido um homem em flagrante delito, por posse de armas proibidas.De acordo com a PJ, que levou a cabo dez buscas domiciliárias e não domiciliárias na zona de Lisboa, os contratos de venda daqueles imóveis eram celebrados com recurso a documentação falsa, como documentos de identidade, procurações e comprovativos de pagamento.A documentação era depois apresentada a advogados e solicitadores, que a autenticavam e submetiam eletronicamente a Registo Predial, passando a propriedade dos imóveis para os nomes dos compradores, que correspondem a identidades falsas e até mesmo inexistentes.Já na posse dos imóveis e do título de registo de propriedade, os suspeitos, com idades entre os 26 e os 62 anos, trocavam as fechaduras e vendiam os imóveis a preços abaixo dos valores reais e de mercado, recorrendo a investidores ou a mediadoras imobiliárias, que os adquiriam ou serviam de intermediários.Os valores arrecadados eram depois sujeitos a um esquema de “lavagem de dinheiro”, através da compra e posterior venda de outros bens, como viaturas de luxo, ou através de transferências sucessivas e fracionadas entre contas bancárias.A PJ adiantou que recuperou até ao momento diversos imóveis e apreendeu “consideráveis vantagens obtidas com a venda fraudulenta dos mesmos, entre elas os saldos bancários de cerca de 1,5 milhões de euros”.Os detidos serão presentes a primeiro interrogatório judicial, para aplicação das medidas de coação.