PJ detém mais um empresário na operação Cinderela, que investiga esquema em processos de insolvência
FOTO: Reinaldo Rodrigues

PJ detém mais um empresário na operação Cinderela, que investiga esquema em processos de insolvência

A PJ revela que o detido, de 56 anos e de nacionalidade estrangeira, terá "dissipado ilegitimamente o património de empresas em processo de insolvência”.
Publicado a
Atualizado a

Um empresário foi detido esta terça-feira no âmbito da operação Cinderela, elevando para 11 as detenções neste inquérito, que investiga um alegado esquema criminoso usado em processos de insolvência que permitiu beneficiar os insolventes em prejuízo dos reais credores.

Em comunicado, a PJ diz que quanto a este empresário, com 56 anos e de nacionalidade estrangeira, “os factos indiciam que interveio no esquema criminoso, dissipando ilegitimamente o património de empresas em processo de insolvência”.

“O mesmo encontra-se, assim, indiciado pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção, burla qualificada, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, que terão sido praticados, pelo menos, entre 2023 e 2025”, acrescenta esta força de investigação criminal.

O detido vai ser presente ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto para primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação.

No âmbito da operação Cinderela haviam sido já detidas, em março deste ano, 10 pessoas, com idades entre os 44 e os 77 anos, entre os quais três ex-administradores de insolvência, um advogado e seis empresários e comerciantes.

Um dos ex-administradores de insolvência está em prisão preventiva.

Foram também executadas 18 buscas domiciliárias e não domiciliárias, que visaram residências, empresas e escritórios de advogados, tendo sido apreendida documentação, material informático, quantias monetárias, objetos de luxo e viaturas de gama alta, relacionados com a prática dos crimes em investigação.

No comunicado divulgado em 03 de março, a PJ dava conta das 10 detenções, sublinhando que os detidos se encontram indiciados pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção, burla qualificada, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, que terão sido praticados, pelo menos, entre 2023 e 2025.

“A investigação incide sobre a atuação organizada e concertada dos detidos, intervenientes em processos de insolvência e/ou de recuperação de empresas, no âmbito das suas funções profissionais, num esquema criminoso que permitiu beneficiar os insolventes e viabilizar a apropriação de património em prejuízo dos reais credores”, detalhou, na ocasião, a PJ.

Fonte judicial disse nesse dia à agência Lusa que esta investigação é autónoma daquela que levou à detenção do advogado Paulo Topa, em dezembro de 2025, por suspeitas de corrupção num esquema de desvio de fundos em processos de insolvência e recuperação de empresas.

Paulo Topa encontra-se em prisão preventiva ao abrigo desse processo, que tem ligações com esta investigação.

Segundo a investigação, através de pessoas singulares e/ou coletivas da sua confiança, que se apresentavam com créditos fictícios e documentação forjada, os envolvidos garantiam o imediato reconhecimento de credores sem a devida comprovação da dívida.

“Estes créditos fictícios, além de permitirem a apropriação imediata de bens móveis ou imóveis, asseguravam a aprovação dos planos de recuperação, para que os devedores pudessem tirar proveito dos seus efeitos, suspendendo a ação dos reais credores e dissipando o património existente”, lia-se também no comunicado da PJ.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt