Petrolíferas saem de cena no Ártico, depois de terem investido milhões

Empresas concluíram que não compensa. Ambientalistas, que contestaram prospeção ao largo do Alasca, dizem que é boa notícia

Depois de um investimento global de cerca de 2,2 mil milhões de euros em arriscados trabalhos de prospeção de petróleo no oceano Ártico, as companhias petrolíferas que tinham comprado licenças aos Estados Unidos para fazer essas perfurações estão agora a desistir, uma após outra, da exploração de petróleo na região. Os custos elevados da operação, combinados com o atual baixo preço do petróleo, terão determinado este desfecho.

Para a organização internacional de defesa dos oceanos Oceana, que se opôs desde o primeiro momento a esses projetos e que mobilizou a opinião pública mundial contra eles, por causa dos seus elevados riscos ambientais, esta é uma boa notícia.

"Se tudo correr como se espera, o dia de hoje [ontem] marca o fim das perigosas intenções, do ponto de vista ambiental e económico, de perfurar o oceano Ártico", afirmou o dirigente da Oceana, Michael LeVine, citado pelas agências noticiosas internacionais.

A saída de cena das petrolíferas no Ártico aconteceu nas últimas semanas, antes do final de abril.

Uma delas é Shell, que fez prospeções no ano passado no mar de Chukchi, 110 quilómetros ao largo da costa do Alasca, depois de ter recebido luz verde para isso do governo federal dos Estados Unidos. Os resultados da pesquisa terão sido uma desilusão e a companhia acabou por formalizar a sua renúncia à exploração petrolífera naquela região antes de 1 de maio, a tempo de evitar o pagamento da renda aos Estados Unidos para continuar a usufruir da permissão de exploração.

Esta ação "é consistente com a nossa decisão anterior de não explorar em offshore no Alasca num futuro previsível", afirmou à Bloomberg o porta-voz da empresa, Curtis Smith.

Mas a Shell não é a única a sair de jogo. Pelos mesmos motivos - alto custo do investimento para receitas insuficientes devido à baixa do petróleo, e vencimento das rendas dos lotes offshore - , as outras empresas petrolíferas nesta corrida também abandonaram os respetivos projetos de prospeção e exploração petrolífera.

Essa informação foi divulgada pela Oceana, que teve acesso a ela ao abrigo da lei da liberdade de informação, a Freedom of Information Act, nos Estados Unidos. Segundo os dados avançados pela organização, as outras desistentes são a ConocoPhillips, a Statoil e a Iona Energy.

Já este ano, em janeiro, a Oceana entregou ao governo dos Estados Unidos um pedido formal por escrito para reconsiderar a atribuição de novas licenças para exploração de recursos energéticos ao largo da costa, no Alasca. Entre os argumentos avançados para a necessidade de travar as novas licenças, a Oceana nomeou os riscos ambientais e a possibilidade de um acidente, recordando a catástrofe que foi o derrame na Deepwater Horizon, no Golfo do México, em 2010.

Nas condições extremas de temperatura e condições meteorológicas que são as do Ártico, os riscos de acidente são ali ainda maiores, justificam os ambientalistas.

O sonho petrolífero do Ártico parece assim estar perto de um desfecho positivo para o planeta.

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