Vítimas do acidente em Tarragona são 13 universitárias em Erasmus

Não há informação de portugueses a bordo. Vítimas mortais serão todas do sexo feminino e nacionalidade estrangeira

A informação inicial avançada pelas autoridades apontava para 14 vítimas, mas serão afinal 13 as estudantes universitárias que morreram este domingo num acidente entre um autocarro e um automóvel ligeiro de passageiros, em Espanha. O despiste deu-se pelas seis da manhã, menos uma hora em Portugal, na estrada AP-7 junto à localidade de Freginals, próxima de Amposta, em Tarragona. Barcelona fica a cerca de 150 quilómetros de distância e era para a capital catalã que o autocarro acidentado se dirigia.

As vítimas terão entre 22 e 29 anos, segundo as últimas informações disponíveis. O ministro do Interior espanhol em funções, Jorge Fernández Díaz, revelou no local do acidente que todas as vítimas mortais são do sexo feminino e têm nacionalidade estrangeira. O reitor da Universidade de Barcelona admite que todas frequentassem a instituição através do programa Erasmus, que permite aos estudantes do ensino superior completarem um ano de curso fora do seu país de origem.

O autocarro, segundo o jornal espanhol El Mundo, pertence a uma empresa de Mollet del Vallés, Barcelona. Os estudantes que seguiam no veículo participavam, na sua maioria, no programa Erasmus, e regressavam a Barcelona depois de um dia numa festa típica da cidade de Valência. A Direção Geral de Proteção do Governo Regional da Catalunha divulgou já a lista das nacionalidades de todos os estudantes envolvidos no acidente, na qual não consta Portugal.

De acordo com a entidade catalã, no autocarro acidentado viajavam estudantes do Peru, Bulgária, Polónia, Irlanda, Palestina, Japão, Ucrânia, República Checa, Nova Zelândia, Reino Unido, Itália, Hungria, Alemanha, Suécia, Noruega e Suíça.

Ao DN, fonte da secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas disse esta tarde estar ainda a aguardar a lista oficial do Governo Regional da Catalunha com as nacionalidades de todas as vítimas do acidente, mas garante que até ao momento a informação é que "quase de certeza" nenhum estudante luso estava no local.

O Cônsul-Geral de Portugal em Barcelona, Paulo Teles da Gama, disse à agência Lusa que "de momento", não há indicação por parte das autoridades da Catalunha da presença de portugueses no acidente de autocarro de Tarragona.

As últimas informações dos serviços de emergência, divulgadas ao final da tarde deste domingo, dão conta de 13 mortos, 16 pessoas que saíram ilesas e 34 hospitalizadas. Entre os feridos, três estão em estado crítico, nove em estado grave e 22 têm ferimentos ligeiros.

Os feridos mais graves foram transportados para o Hospital Verge de la Cinta de Tortosa (Tarragona). Ao todo, estiveram envolvidas no acidente 63 pessoas, informou o conselheiro do Interior do Governo regional da Catalunha, Jordi Jané, que se deslocou de emergência ao local. No autocarro, indica o El País, viajavam 61 pessoas, e outras duas estavam no ligeiro de passageiros com o qual o autocarro colidiu.

De acordo com testemunhos, o autocarro terá galgado o separador central da via, chocando frontalmente com outro veículo que seguia em sentido oposto, ficando depois virado na estrada. O autocarro acidentado seguia juntamente com outros quatro autocarros, que faziam o mesmo percurso, mas que não sofreram qualquer acidente: o autocarro que se despistou era o último da fila.

Carles Puigdemont, o presidente da Generalitat, governo autonómico da Catalunha, explicou que devido ao facto de os estudantes que participavam na excursão viajarem em cinco autocarros separados ainda não foi possível obter confirmação total da identidade das vítimas mortais: não há listas fechadas com os nomes dos estudantes que iam em cada autocarro. Espera-se que o processo fique concluído nas próximas horas. Puigdemont cancelou a viagem que tinha programada a Paris para os próximos dias e deslocou-se a Tarragona, decretando dois dias de luto oficial em memória das vítimas.

Erro humano?

Jorid Jané revelou que os primeiros indícios apontam para que o acidente tenha tido origem num erro humano, ressalvando que a conclusão poderá ser ainda precipitada. No entanto, descartou que o estado do pavimento tenha contribuído para a colisão. O motorista do autocarro, que está entre os sobreviventes, não tem ferimentos graves e, adianta o El País, será ouvido ainda este domingo pelas autoridades. Está a ser acompanhado por uma equipa de psicólogos. O Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, encarregue da investigação ao acidente, já informou que o homem acusou negativo para a presença de álcool ou drogas no organismo.

A empresa dona do autocarro esclareceu que o condutor tem 17 de experiência neste tipo de veículos, é considerado um perito neste tipo de autocarros e nunca tinha tido um acidente. Também explicou que o pesado tem três anos e todas as inspeções em dia.

Ao El País, o alcaide de Freginals, Josep Roncero, referiu que o acidente aconteceu no único ponto onde a autoestrada faz uma curva ligeira, num troço com longas retas. "Um ponto negro", assegurou. Roncero foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local.

Os bombeiros trabalharam com 17 equipas a resgatar as vítimas do interior dos veículos envolvidos. As pessoas ilesas foram levadas para um hotel em Tortosa (Tarragona). A Generalitat da Catalunha irá receber os familiares das vítimas nesta unidade hoteleira e a Cruz Vermelha pôs em funcionamento uma linha para prestar informações. A partir da Catalunha, basta marcar 012, de outros pontos de Espanha o 900400012.

A Proteção Civil do Governo espanhol, em conjunto com as autoridades locais, disponibilizou espaços de atendimento com ajuda psicológica.

A circulação na AP-7 continua cortada por agora.

Um dos acidentes mais graves em Espanha

A Casa Real espanhola já transmitiu as condolências às vítimas, feridos e familiares, através de uma mensagem no Twitter.

Esta colisão é um dos acidentes de trânsito mais graves que ocorreram em Espanha desde 2000, com envolvimento de um autocarro de passageiros.

O acidente com o maior número de mortes em Espanha foi a 6 de julho de 2000, quando um autocarro em que viajavam alunos catalães colidiu com um camião de transporte de gado na cidade de Soria Golmayo, provocando vinte mortos e treze feridos graves.

Com Lusa

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