O diretor da Polícia Judiciária (PJ) defendeu esta terça-feira, 28 de abril, que a pirataria de conteúdos audiovisuais se trata de criminalidade altamente organizada, que "fomenta o branqueamento de capitais" e vai além da violação dos direitos de autor."Não estamos a falar só de direitos de autor, não estamos a falar só da divulgação de conteúdos ilegais. Estamos também a falar de algo que fomenta o branqueamento de capitais e que gera muito dinheiro", sustentou Carlos Cabreiro, à margem do IV Colóquio Internacional sobre Pirataria de Conteúdos Digitais, que esta terça-feira decorre na sede da PJ, em Lisboa.O dirigente precisou que, embora "aos olhos dos cidadãos" a pirataria pareça "algo que é muito simples e que só provoca vítimas individuais ou que afeta as empresas", em causa estão estruturas que se organizam "de forma a disseminar os lucros que provêm da atividade criminosa".Carlos Cabreiro, até há cerca de um mês diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime da PJ, lamentou ainda que em Portugal existam "elevados níveis" que recorrem à pirataria para assistir a conteúdos como séries, filmes ou desporto, realçando a importância de campanhas de prevenção.Entre estas, destacou a que foi lançada há cerca de um ano pela PJ em parceria com a Sport TV com o mote "Não é só um jogo. É crime. És criminoso?", contra serviços de transmissão gratuita de jogos de futebol, um conteúdo pago."Cerca de 34% dos jovens [em Portugal] dizem que consomem conteúdos ilegais e isso por si só é preocupante", frisou.A conferência é coorganizada pela PJ e pela FEVIP - Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais..Portugal ainda sem estratégia para combater a pirataria de conteúdos audiovisuais