José Sócrates foi ouvido em tribunal esta quarta-feira, dia 16 de setembro
José Sócrates foi ouvido em tribunal esta quarta-feira, dia 16 de setembroPAULO SPRANGER/ Global Imagens

Operação Marquês. Sócrates diz que nunca se aproveitou da amizade de Carlos Santos Silva

Antigo primeiro-ministro rejeita que tenha dado ordens ao seu amigo "fraternal" sobre o apartamento em Paris e diz que o tom registado nas escutas vem da sua "inclinação para a arrogância".
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Ouvido novamente em tribunal esta quarta-feira, 16 de setembro, para mais uma sessão de jugamento, José Sócrates recusa ter abusado da "relação de amizade" que mantinha com o empresário Carlos Santos Silva.

Numa audiência que durou cerca de três horas, Sócrates foi questionado pela juíza Susana Seca sobre o conteúdo das chamadas entre o ex-primeiro-ministro e o empresário, que a juíza disse demonstrarem "uma ligação umbilical que causa suspeita".

"Toda esta relação umbilical perpassa nas interceções telefónicas. Seria expectável que ao pedir um favor a um amigo não estivesse a impor a sua vontade a um amigo", considerou a juíza Susana Seca na sessão, segundo o jornal Observador.

Segundo o Correio da Manhã, Sócrates foi confrontado com uma escuta sobre o apartamento em Paris. Em resposta, o antigo primeiro-ministro disse que a escuta prova que não teve "nada a ver com o destino dado ao apartamento" comprado pelo empresário em Paris e que Santos Silva é que decidia sobre o mesmo.

"As escutas naquele período em que a minha família estava a viver num aparthotel mostram preocupação só porque eu tinha combinado com ele viver no apartamento até ao final do ano. E só por causa dessa preocupação o Ministério Público acha que o apartamento era meu", argumentou ainda o ex-primeiro-ministro.

A juíza apontou "o tom" de voz de Sócrates durante as conversas, o que levou o antigo governante a uma admissão: "Tenho consciência que tenho uma inclinação para a arrogância", disse, acrescentando que isso se deve aos seus "muitos anos a dar ordens" e "a animar equipas". Porém, acrescentou, o "tom impaciente" nas escutas tinha outro motivo: "Esse tom tem a ver com o facto de a minha família estar na situação em que estava, com o facto de as obras se arrastarem e com o facto de eu estar em época de exames", alegou ainda o antigo político, que estudou Filosofia em Paris.

Negando haver uma relação de amizade abusiva entre ele e o seu amigo empresário, Sócrates catalogou-a como uma relação "fraterna" e disse que Carlos Santos Silva olhava para ele "com grande admiração".

"Ao contrário do que muita gente julga, há muita gente que tem admiração por mim”, afirmou Sócrates.

Sócrates anuncia auditoria a conta na Caixa Geral de Depósitos

Na sessão de julgamento, o antigo primeiro-ministro anunciou ainda que iria pedir uma auditoria à sua conta na Caixa Geral de Depósitos "para contrapor os disparates" que diz terem sido ditos ao longo das sessões em tribunal. "Se quero contrapor tenho de ter esse relatório com a assinatura de alguém, para me poder sustentar nele para fazer a minha intervenção sobre a minha conta".

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