Ómicron pode ter sofrido mutação com um vírus de constipações comuns

Vírus da nova variante transmite-se mais facilmente, causando sobretudo uma doença leve ou assintomática, segundo um estudo.

A variante Ómicron do vírus da covid-19 pode ter sofrido uma mutação a partir de material genético de outro vírus, sendo o mais provável um dos vírus da constipação comum. A sequência genética da nova variante não aparece em nenhuma das versões anteriores do coronavírus SARS-CoV-2, mas é omnipresente em muitos outros vírus, incluindo aqueles que causam constipação comum, e também no genoma humano, segundo um estudo publicado na OSF Preprints, citado peloa agência Reuters.

Ao apanhar esse fragmento específico, a Ómicron pode iludir o sistema imunitário e escapar do ataque do sistema imunológico humano. Segundo Venky Soundararajan, um dos investigadores, isso pode significar que o vírus se transmite mais facilmente, causando uma doença mais leve ou assintomática. Os cientistas ainda não sabem se a Ómicron é mais infecciosa do que outras variantes, se causa doenças mais graves ou se ultrapassará o Delta como a variante mais prevalente.

As células dos pulmões e o sistema gastrointestinal podem ser afetadas pelo SARS-CoV-2 e outros coronavírus da constipação comum em simultâneo, segundo estudos anteriores. Essa co-infeção cria o cenário para uma recombinação viral, um processo no qual dois vírus diferentes na mesma célula hospedeira interagem enquanto fazem cópias de si mesmos, gerando novas cópias que possuem algum material genético de ambos.

Ainda segundo o estudo, a mesma sequência genética aparece muitas vezes num dos vírus que causam constipações em pessoas - conhecido como HCoV-229E - e no vírus da imunodeficiência humana (HIV- Sida).

O estudo ainda não foi revisto por pares da comunidade científica.

Portugal é o país da Europa com mais casos Ómicron. Até este sábado foram identificados pela DGS 34 casos da nova variante, 30 deles ligados ao surto de covid-19 do Belenenses SAD.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG